Publicado 16 de Dezembro de 2020 - 10h48

Por AFP

A pandemia de covid-19 reduziu as emissões de contaminantes em todo o planeta, mas não evitou novos registros alarmantes de desmatamento nas florestas da América Latina, nem deu trégua aos defensores do meio ambiente, que continuaram sendo assassinados.

"A Amazônia está muito mais ameaçada do que há oito anos", devido ao "avanço das atividades de extração, dos projetos de infraestrutura, assim como dos incêndios, do desmatamento e da perda de carbono", advertiu recentemente um relatório da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG).

A área desmatada na maior floresta tropical do mundo triplicou entre 2015 e 2018.

E o desmatamento continuou: entre agosto de 2019 e julho de 2020, aumentou 9,5% com relação ao mesmo período anterior, um segundo recorde consecutivo em 12 anos.

No período, foram perdidos 11.088 quilômetros quadrados de florestas e bosques, segundo o brasileiro Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mais de sete vezes a superfície da Cidade do México.

"Por causa do desmatamento, o Brasil deve ser o único grande emissor de gases de efeito estufa que aumenta suas emissões no ano em que a economia global parou devido à pandemia", avaliou o Observatório do Clima, uma coalizão de ONGs brasileiras focadas nas mudanças climáticas.

Esta e outras organizações e especialistas têm responsabilizado reiteradamente pelo aumento do desmate e das queimadas o presidente Jair Bolsonaro e seu discurso a favor de atividades extrativistas e do agronegócio em áreas protegidas.

O balanço do Inpe, avaliou o Observatório, "reflete o resultado de um projeto exitoso em aniquilar a capacidade do Estado brasileiro e dos órgãos de fiscalização que cuidam da nossa floresta e combatem o crime na Amazônia".

Os incêndios provocados para ampliar as fronteiras agrícolas e pecuaristas se somaram a uma seca prolongada, atribuída em parte aos efeitos acelerados do próprio aquecimento global.

No Pantanal, a maior planície alagada do planeta, que se estende por Brasil, Paraguai e Bolívia, a seca foi uma das mais severas em quase meio século.

Também houve incêndios. Imagens de árvores queimadas, bem como de jacarés, aves e serpentes carbonizados deram a volta ao mundo: um quarto da região foi devastada pelas chamas entre janeiro e setembro.

Os incêndios tiveram níveis máximos também na região vizinha do Gran Chaco (Bolívia, Paraguai e Argentina), o segundo espaço vegetal da América do Sul, depois da Amazônia.

No Delta do Paraná, na Argentina, outro vasto pântano, que abriga uma rica variedade de espécies animais e vegetais, os incêndios aumentaram 170% este ano, disse Elisabeth Möhle, pesquisadora de políticas ambientais da Universidade Nacional de San Martín.

"Morreram répteis, aves migratórias, pequenos mamíferos, tartarugas", enumerou à AFP o naturalista argentino César Massi. "Durante a seca anterior, em 2018, houve incêndios, mas este ano foi mais forte, mais intenso e mais estendido no tempo".

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