Publicado 18 de Novembro de 2020 - 5h30

Duas gerações de bailaoras se encontram no palco do Teatro Iguatemi para apresentar Federico, sobre o poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca, num espetáculo que destaca a contribuição do artista para a cultura espanhola e costura as trajetórias das duas profissionais pelo viés da poesia. Lu Garcia, do Centro de Arte Flamenca (CAF), e Mariana Abreu, do Soniquete Estúdio de Artes – professora e aluna do curso de flamenco na década de 1990 –, somam seus conhecimentos, pela primeira vez numa apresentação de final de ano de suas respectivas escolas, prometendo uma noite de emoções, sensibilidade e profissionalismo.

O vínculo da obra de Lorca com o flamenco é muito grande. Suas poesias e peças inspiraram músicas, montagens teatrais e até filmes, como a versão cinematográfica de sua peça Bodas de Sangue pelo bailaor Antonio Gades (1936-2004), um dos maiores nomes do flamenco mundial. O CAF, em seu espetáculo La Leyenda Del Tiempo, de 2003, já fundamentou parte do enredo nas obras do artista. “O Lorca é uma força no flamenco. Ele forneceu um elo entre as duas escolas, é um ponto comum”, afirma Lu. Mariana concorda que a poética de seus textos sobressai como o amálgama perfeito entre as duas escolas. “Não exibiremos uma biografia em ordem cronológica, mas sim, cenas darão corpo à sua poesia. Ora ela aparece falada, ora as canções flamencas trazem as poesias na letra”, explica Mari.

Cerca de 60 artistas participam do espetáculo, entre professores, coreógrafos, músicos e alunos. Lu e Mariana, que assinam a direção geral, estão acompanhadas no palco pelos professores e coreógrafos Ana Cristina Marzagão, Carlinhos Rowlands e Sara Lima, além dos músicos Diego Zarcón (cantaor), Helena de Los Andes (cantaora) e Micael Pancrácio (guitarra).

Federico, que será apresentado na próxima quinta-feira, dia 22, será o 23º espetáculo com alunos do CAF e o 15º do Soniquete Estúdio de Artes. Lu Garcia foi professora de flamenco de Mariana em 1995, quando a aluna era adolescente e iniciava na arte espanhola. Ao longo deste ano, elas organizaram outros eventos juntas. O sucesso da dobradinha inspirou a união para a montagem de final de ano.

“Conheço a Mari desde pequena, muito antes do flamenco. Sou amiga dos pais e tios dela. Tê-la como aluna e acompanhar o seu desenvolvimento pessoal e profissional me enche de orgulho. Ela participou dos grupos amador e profissional do CAF até bater asas e criar o Soniquete”, coloca Lu. “Compartilhar o palco com quem nutriu as bases do meu trabalho é uma honra. Significa que ela o fez com amor, dedicação e êxito. Lu Garcia é um parâmetro que demonstra que trilhei um caminho sólido a partir destas raízes”, elogia Mariana.

Lu lembra que as escolas já se apresentaram juntas, mas em eventos da Semana Espanhola. “Nos espetáculos de fim de ano, cada escola montava o seu, de acordo com seus conceitos. Este ano vamos nos apresentar como se fosse uma única escola, claro mantendo as identidades de cada uma”, reforça.