Publicado 19 de Novembro de 2020 - 7h38

Por Gilson Rei

A água invade as ruas no Jardim Santa Lúcia

Divulgação

A água invade as ruas no Jardim Santa Lúcia

Tempestades, rajadas de vento, raios e granizo estão previstos para a Região Metropolitana de Campinas (RMC) no dia de hoje. A Defesa Civil alertou ontem que os fenômenos podem voltar a ocorrer como foi registrado em alguns bairros e municípios desde a noite de terça-feira e durante o dia de ontem. 

Segundo a Defesa Civil, a chuva forte — com granizo em Campinas e em alguns municípios — já provocou dezenas de quedas de árvores, transtornos, alagamentos e danos em imóveis. Ontem, a velocidade do vento chegou a 73 km/h às 17h.

Um relatório parcial feito até o final da tarde de ontem revelou que a Defesa Civil já havia realizado 28 ocorrências de danos em duas horas de chuva no município.

Houve alagamento na Rua Álvaro Muller, na Vila Itapura, e queda de árvores nos bairros Padre Anchieta, Jardim Nossa Senhora de Lourdes, Cidade Universitária, Vila Marieta e Parque Via Norte.

Além disso, a Defesa Civil socorreu casos de alagamento em 11 imóveis nos bairros Parque Valença, Parque São Quirino, Parque Fazendinha, Padre Anchieta, Santa Lúcia, Vila Industrial, Novo Campos Elíseos, Jardim das Bandeiras, Mauro Marcondes, Satélite Iris e São Judas Tadeu. A chuva de ontem gerou também queda de muro no Jardim Nilópolis e no Parque Brasília.

A Defesa Civil atendeu ainda na tarde de ontem ocorrências de imóveis em situação de risco no Recanto Fortuna, na Vila Pompéia e na Vila Anhanguera. Além disso, registrou um caso de muro com risco de queda no Jardim Chapadão e uma ocorrência de obstrução em córrego na Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo.

Microexplosões

O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vê risco para a ocorrência de microexplosões durante os temporais, alegando que a formação de nuvens pode gerar o fenômeno e até tornados. Avaliações do Cepagri revelam que há risco moderado para esse tipo de fenômeno meteorológico nas próximas 72 horas.

Ana Ávila, meteorologista do Cepagri-Unicamp, explicou que a rápida formação de nuvens ocorre por meio de supercélulas, que têm potencial de provocar tornados e microexplosões. “A tempestade que se formou na terça-feira à noite, provocando gelo e vento intenso na madrugada, formou chuvas intensas com taxas acima de 50mm/h”, disse.

Segundo Ana, há possibilidade de novos formações de sistemas intensos e de eventos extremos, denominados como “supercélulas”. Esses sistemas, segundo a meteorologista, têm o potencial de gerar tornados, microexplosões e provocar grandes danos. “São nuvens muito intensas, muito altas na atmosfera”, comentou.

A meteorologista disse que existe uma condição atual propícia a esse tipo de formação. “A atmosfera está instável, com bastante umidade, e de repente, essa umidade pode ser levada pra cima” explicou. Esses fenômenos tornam-se imprevisíveis, segundo a meteorologista, porque são muito rápidos.

Dados do Cepagri revelam que a combinação da instabilidade termodinâmica e a circulação associada a uma frente fria posicionada no litoral do Estado proporciona condições ideais para a formação de nuvens profundas e a ocorrência de pancadas de chuva e de temporais entre hoje e amanhã.

Madrugada de ontem

Na madrugada de ontem, as regiões de Campinas e Piracicaba tiveram ventos de mais de 80km/h. Os problemas com os ventos e as tempestades prejudicaram cidades da região, como Indaiatuba, que suspendeu ontem parte dos serviços em unidades de saúde após o período de chuva na madrugada de terça-feira. Tempestade de granizo foi registrada na rodovia D. Pedro, próximo ao município de Nazaré Paulista.

Em Americana, parte do asfalto de trecho recém-inaugurado foi totalmente destruído e outras ocorrências de danos foram registrados em Capivari e Rafard. A chuva com granizo derrubou, por exemplo, a estrutura de um posto de combustíveis e uma torres de energia em Capivari. O almoxarifado da Saúde de Valinhos alagou com o temporal e remédios e insumos foram afetados.

A Defesa Civil de Campinas contabilizou 52,2 milímetros de chuva na madrugada de ontem na cidade. O maior volume de chuva em um dia havia sido registrado neste ano em 12 de janeiro, quando o Cepagri contabilizou 83,2 milímetros. Já o segundo dia mais chuvoso foi em 21 de fevereiro, quando foram registrados 60,7 milímetros.

Além da chuva, houve registro de ventos fortes na madrugada de quarta-feira em Campinas, que chegaram a 54,1km/h. Além disso, as estações do Cepagri registraram ventos de 140km/h.

Escrito por:

Gilson Rei