Publicado 18 de Novembro de 2020 - 7h24

Por Henrique Hein

Em Campinas, a maior demanda por leitos de UTI é na rede privada, com taxa de ocupação de 81,8%

Cedoc/RAC

Em Campinas, a maior demanda por leitos de UTI é na rede privada, com taxa de ocupação de 81,8%

O atraso na atualização dos dados referentes à Covid-19 no Estado de São Paulo, provocado por problemas nos sistemas de informação do Ministério da Saúde, entre os dias 6 e 9 de novembro, fez com que a taxa de novos casos da doença na Região Metropolitana de Campinas (RMC) avançasse 384,5% na semana passada, segundo nota técnica divulgada pelo Observatório PUC-Campinas. O levantamento aponta que entre os dias 8 e 14 de novembro, a região contabilizou 2.878 casos, enquanto que na primeira semana do mês, os números foram bem menores: 594. A quantidade de mortes pela enfermidade também subiu de uma semana para outra: de 20 para 47 — um aumento de 135%. 

A nota técnica ainda destaca que o número de internações cresceu 19% no Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS-Campinas, que envolve 42 municípios) e 18% em todo o Estado de São Paulo na comparação com os dois períodos, o que pode indicar mudanças no cenário da pandemia. Para André Giglio Bueno, infectologista da PUC-Campinas, a criação de uma base de dados municipal com estatísticas de atendimentos diários a sintomáticos respiratórios em unidades de pronto atendimento, bem como de internações por suspeita do novo coronavírus, ajudaria a entender melhor o panorama da pandemia.

O especialista explica, contudo, que não há como ignorar o crescimento das hospitalizações em todo o Estado, porque isso levanta indícios de um possível avanço do vírus nos próximos meses. "Devemos, portanto, seguir recomendando o máximo rigor na adesão às medidas de prevenção, como distanciamento físico, utilização de máscaras, higiene adequada das mãos e de superfícies, além de evitar exposição em ambientes fechados e com pouca ventilação", destaca.

Do ponto de vista econômico, o levantamento mostra que a possibilidade de uma segunda onda gera preocupação, uma vez que a atividade econômica e o mercado de trabalho ainda sentem os prejuízos iniciais causados pela doença. Na comparação com 2019, os setores da Indústria e de Serviços apresentam quedas de 7,2% e 8,8%, respectivamente. O comércio, que atingiu os patamares do ano passado, sobretudo após a reabertura dos estabelecimentos, teme novos efeitos negativos em caso de recuo nas medidas de flexibilização para o funcionamento das atividades comerciais.

De acordo com o economista Paulo Oliveira, que coordena as análises referentes ao coronavírus pelo Observatório PUC-Campinas, o possível avanço da pandemia assusta, ainda, trabalhadores acometidos pelo fechamento de vagas e diminuição da oferta de postos de trabalho no decorrer do ano. "Os dados do mercado de trabalho preocupam e indicam a dificuldade de uma recuperação da economia que dependa do consumo das famílias, especialmente diante da possibilidade do fim ou redução dos programas de transferência de renda, como o auxílio emergencial", afirma.

Observatório PUC-Campinas

O Observatório PUC-Campinas foi lançado no dia 12 de junho de 2018, com o propósito de atender três atividades da universidade: a pesquisa, por meio da coleta e sistematização de dados socioeconômicos, especialmente da Região Metropolitana de Campinas; o ensino, impactado pelos resultados obtidos, que são transformados em conteúdo disciplinar; e a extensão, que divide o conhecimento com a comunidade. A plataforma, de modo simplificado, se destina à divulgação de estudos temáticos regionais e promove a discussão sobre o desenvolvimento econômico e social na região. O espaço pode ser acessado pelo site: http://www.observatorio.puc-campinas.edu.br.

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Henrique Hein