Publicado 17 de Novembro de 2020 - 15h38

Por Maria Teresa Costa

PT não apoiará nenhum candidato no 2º turno

Cedoc/RAC

PT não apoiará nenhum candidato no 2º turno

O lançamento de candidaturas próprias no primeiro turno da eleição em Campinas tirou a possibilidade de a esquerda chegar ao segundo turno marcado para 29 de novembro. Os votos recebidos pelo candidato do PT, Pedro Tourinho, e de Alessandra Ribeiro (PCdoB), somaram 109.150. O segundo mais votado, Rafa Zimbaldi (PL), teve 103.397 votos e está no segundo turno. Os partidos de esquerda conseguiram, no entanto, aumentar a presença no Legislativo dos atuais quatro vereadores para seis a partir de janeiro.

O PT se coligou ao PSOL na majoritária, com Tourinho prefeito e Edilene Santana vice. O PCdoB foi de chapa pura, com Alessandra e José Carlos Lourenço. Esses partidos, junto com o PDT, formaram em 2018, a Frente Democrática de Campinas, para aglutinar partidos políticos, lideranças do movimento social e da intelectualidade, além de entidades do campo democrático e religioso, para combater o clima de ódio e contra a democracia e o Estado Democrático de Direito que se instalou no país desde o primeiro turno das eleições presidenciais.

Mas a união na agenda em defesa da democracia não incluiu possibilidades de coligações nas eleições deste ano. Para a presidente do PCdoB, Márcia Quintanilha, o partido seguiu orientação nacional de candidaturas próprias, de participar do debate nacional, de construir candidatura própria, preparar o eleitorado para as eleições de 2022.

O PCdoB demorou a entrar na disputa com uma chapa majoritária, mas valeu a pena, segundo ela, porque hoje as pessoas conhecem o PCdoB na cidade, sabem que o partido tem um programa de governo e um projeto político. “Se não tivéssemos chapa majoritária, estaríamos fora do debate”, afirmou.

Ela lembra que a decisão garantiu a manutenção da vaga do partido na Câmara, com o vereador Gustavo Petta e que, em uma coligação na majoritária, havia risco de perder essa vaga. “Queríamos eleger dois ou três vereadores, mas a pandemia que levou ao isolamento social dificultou demais a campanha”, afirmou.

De acordo com a presidente do PCdoB, o lançamento da candidatura de Alessandra Ribeiro teve símbolos fortes, como o fato de ser mulher, que está nos movimentos negros, tem currículo. “Como justificaríamos deixar de lançar uma mulher negra na eleição para apoiar um homem branco. Isso seria um desastre”, disse.

Com a campanha, afirmou, o partido conseguiu mostrar que tem projeto para a cidade e experiência em políticas públicas, já que participou de secretarias no governo municipal, e tem plano de governo. Ela observou que, não fossem as abstenções, o PT não precisaria do PCdoB para chegar ao segundo turno.

O presidente do PT, Carlos Orfei, foi procurado, mas não atendeu as ligações. O candidato do partido, Pedro Tourinho, disse que não atribui o fato de não estar no segundo turno ao PCdoB. “O partido tinha legitimidade de lançar candidatura própria e só tenho a agradecer os votos recebidos. O PT e o PSOL conseguiram ampliar a bancada na Câmara e teremos cinco vereadores (atualmente são três)”, afirmou.

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Maria Teresa Costa