Publicado 17 de Novembro de 2020 - 7h47

Por Maria Teresa Costa

A alta taxa de abstenção contribuiu para que a eleição de domingo fosse tranquila e sem formação de filas

Wagner Souza/AAN

A alta taxa de abstenção contribuiu para que a eleição de domingo fosse tranquila e sem formação de filas

Em meio à pandemia do novo coronavírus, 639.385 eleitores deixaram de votar nas eleições de domingo na Região Metropolitana de Campinas (RMC), um crescimento de 44,5% na comparação com o último pleito, em 2016. Há quatro anos, 442,2 mil, ou 25,36% dos 2,18 milhões de eleitores cadastrados, não compareceram às urnas. No último domingo, foram 27,6% do total de 2,31 milhões. A maior ausência ocorreu em Campinas, com 30,84%, seguida de Valinhos, com 30,12%. A menor, de 24,97%, foi em Jaguariúna. Além da pandemia, a descrença com a classe política está entre os principais motivos da ausência às urnas.

Os votos brancos somaram 5,98% contra 5,56% há quatro anos e os nulos saíram de 1,65% para 9,39%. O maior percentual de nulos, de 11,85, ocorreu em Campinas, à frente de Sumaré, com 10,94%, que teve também o maior percentual de votos em branco, com 7,85%.

O Brasil registrou a mais alta ausência às urnas dos últimos 20 anos — 23,15% dos brasileiros deixaram de votar no domingo, enquanto em 2016 foram 17,5%.

Apesar de a pandemia ter levado eleitores a refletirem que o risco de saúde envolvido nessa ação teria mais custos que uma eventual multa ou justificativa, a cientista política da Unicamp, Raquel Meneguelo, avalia que "a desafeição à política continua tendo uma forte influência sobre a desmobilização do eleitorado".

O ano de 2020, disse, tem sido muito conturbado, e mesmo que a política nacional tenha menor impacto sobre as eleições locais, continuam a produzir referências negativas sobre a participação política.

Ela lembra que as previsões sobre a abstenção nesse ano, em função da pandemia, eram maiores do que a que ocorreu em todo o País, e inclusive em Campinas.

Para o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-Campinas, Valdemir Reis Junior, o número de brancos e nulos não surpreende. Nas últimas eleições, disse, esses números se mostraram sempre muito expressivos. "O que é realmente um grande diferencial nas eleições 2020 é o número de abstenções, o que impacta diretamente no resultado das eleições. Acredito que esse alto índice de abstenção se deve, principalmente, à pandemia de Covid-19", afirmou.

Deixar de votar não é bom para a democracia, mas, segundo o sanitarista Elias Marques, teve um lado positivo, que mostra que a população está se cuidando. "A Justiça Eleitoral se esforçou bastante para informar aos eleitores que eles estariam seguros indo às urnas, que as medidas sanitárias foram adotadas, e de fato foram, mas foi importante que a população, especialmente aquela de risco, como idosos, que costumam madrugar nas seções eleitorais, ficasse em casa", afirmou.

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Maria Teresa Costa