Publicado 16 de Novembro de 2020 - 8h45

Por Estadão Conteúdo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, disse ontem, em entrevista coletiva, que uma falha em um servidor provocou o atraso na divulgação dos resultados da apuração do primeiro turno. Segundo o ministro, os dados dos tribunais regionais eleitorais foram recebidos pelo tribunal, mas ocorreu uma falha no processador de um supercomputador e foi preciso fazer a reparação. Segundo Barroso, o atraso não trouxe prejuízo para o resultado das eleições, porque o problema se restringe à totalização e divulgação.

"A ideia de que a demora possa trazer algum tipo de consequência para o resultado não faz nenhum sentido, porque o resultado das eleições já saiu no momento em que a urna imprimiu o boletim da urna. Esse boletim é impresso em diversas vias, é fixado no lado de fora da seção eleitoral e distribuído aos partidos", explicou.

No entanto, o ministro disse que a centralização da totalização (soma) de votos no TSE também pode ter contribuído para a lentidão da divulgação. Nas eleições anteriores, a totalização era realizada pelos tribunais regionais eleitorais. Antes de Barroso assumir, a ministra Rosa Weber ocupou o cargo de presidente da Corte.

"De fato houve uma alteração e totalização passou a ser centralizada no TSE. Essa não foi uma decisão minha. Eu tomei posse em maio, o sistema já havia sido alterado dessa forma. Preciso dizer que, desde o primeiro momento, eu não tive simpatia por essa opção, mas era a opção estabelecida, e foi ela que eu segui. Muito possivelmente, por ser uma novidade, pode estar na origem da instabilidade que sofremos", afirmou.

Durante a coletiva na qual apresentou um balanço do dia de votação, Barroso informou que cerca de 3,5 mil urnas apresentaram defeito e tiveram que ser substituídas. Não houve votação manual em nenhum município do país.

Sobre o ataque cibernético realizado na manhã de ontem ao sistema do TSE, Barroso reafirmou que o ataque foi neutralizado e não provocou danos. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF).

Aliados do governo

A base de aliados do governo de Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e espalhar suspeitas contra a segurança das urnas eletrônicas, além de voltar a pedir o voto impresso. As declarações ocorreram após as instabilidades e maior lentidão da corte para divulgação dos resultados.

As falas também surgiram após os candidatos apoiados por Jair Bolsonaro - como Celso Russomanno em São Paulo, Bruno Engler em Belo Horizonte e Marcelo Crivella no Rio - não decolarem, de acordo com pesquisas boca-de-urna e com os resultados iniciais da apuração.

"O ataque hacker, partido do Exterior, não afeta a apuração da eleição, mesmo tendo exposto dados de funcionários do TSE, disse o TSE. Mas sempre há o risco. Se já tivesse sido implementado o voto impresso as eleições estariam garantidas, fora a questão da transparência e auditoria", afirmou no Twitter o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL).

"E-título e site do TSE travaram... hackers agindo livremente... nenhum sistema é plenamente confiável... por isso, o VOTO IMPRESSO se impõe", postou o deputado federal Major Vitor Hugo (PP), ex-líder do governo na Câmara, substituído este ano por representante do Centrão.

"Barroso ficou todo pimpão elogiando os sistemas da Justiça Eleitoral e afirmando que em 2022 os brasileiros vão poder votar por telefone ou pelo computador. Mas como isso vai dar certo, se nessa eleição o site do TSE saiu do ar pra baixar o título e na apuração cai toda hora", criticou o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. (Estadão Conteúdo)

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