Publicado 18 de Novembro de 2020 - 20h36

Por AFP

Para testar a eficácia e segurança das vacinas experimentais contra a covid-19, os ensaios clínicos são conduzidos com dezenas de milhares de voluntários, geralmente divididos ao meio entre um grupo que recebe placebo e um grupo tratado.

Este é o caso dos ensaios da Pfizer/BioNTech e da Moderna, que relataram recentemente uma eficácia muito elevada de suas vacinas.

O grupo norte-americano Pfizer conduz e financia o ensaio clínico de sua própria vacina em 44.000 pessoas nos Estados Unidos, no Brasil, na Alemanha, na África do Sul e na Turquia.

Os participantes se inscrevem como voluntários e, se aceitos, recebem duas doses com intervalo de três semanas, enquanto são monitorados regularmente.

A Moderna está conduzindo seu teste em parceria com o National Institutes of Health (NIH), a maior organização pública de pesquisa dos Estados Unidos, que co-financia o estudo e desenvolveu a vacina em conjunto, também em duas doses, com intervalo de quatro semanas. O ensaio clínico acontece apenas nos Estados Unidos, com 30.000 voluntários.

Não. A enfermeira que aplica a injeção também não sabe. O placebo é um soro fisiológico simples (solução salina), sem nenhum efeito terapêutico.

Todos os voluntários nos ensaios continuam suas vidas normalmente: após as injeções, eles vão para casa, trabalham, estudam e vivem como todos, com as mesmas recomendações de cuidado, confinamento e uso de máscara que o resto da população.

Com o tempo, vários participantes pegarão covid-19 espontaneamente. Isso se saberá porque eles devem relatar periodicamente seus sintomas aos pesquisadores e quaisquer casos suspeitos serão diagnosticados.

Se a vacina for eficaz, o número de casos no grupo de participantes que recebeu a vacina real será menor do que na outra metade, que recebeu apenas o placebo. O objetivo é que a diferença seja significativa o suficiente para descartar que seja fruto do acaso.

Métodos estatísticos entram em ação para atingir um nível predeterminado de certeza. Uma eficácia de 100% significaria que não houve casos entre os vacinados e houve vários no grupo de placebo.

É preciso lembrar que o objetivo principal da vacina não é prevenir o contágio pelo coronavírus, mas sim evitar que as pessoas desenvolvam a doença causada pelo vírus, ou seja, a covid-19.

Será considerado particularmente eficaz se, além disso, prevenir formas graves de covid-19.

A ideia é que, se uma vacina prevenir o adoecimento, a meta de saúde pública será alcançada, mesmo que as formas assintomáticas continuem a se espalhar.

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