Publicado 18 de Novembro de 2020 - 15h16

Por AFP

O anúncio dos Estados Unidos da retirada de outros 500 soldados do Iraque foi recebido com novos ataques à sua embaixada, uma escalada militar pró-iraniana antes da chegada ao poder do democrata Joe Biden.

Na terça-feira, ao mesmo tempo em que Washington anunciava que em breve apenas 2.500 soldados serão mantidos no Iraque, vários foguetes atingiram a embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana.

A trégua que os pró-iranianos anunciaram pouco antes das eleições terminou na terça-feira, quando a imprensa americana revelou que Donald Trump havia estudado a possibilidade de bombardear o Irã antes de deixar o cargo.

Os grupos pró-iranianos não assumiram a responsabilidade por este ataque, em parte porque um foguete atingiu o centro de Bagdá, matando uma menina e ferindo cinco civis.

Mas, em particular, várias fontes reconhecem que os ataques visam impedir Trump de atacar o Irã e em represália pela prisão de paramilitares pelas autoridades iraquianas.

Os sete foguetes da terça-feira são "uma escalada real", explica Hamdi Malik, especialista em paramilitares iraquianos.

Washington os acusa de estar por trás de uma centena de ataques aos interesses americanos no Iraque no ano passado, a maioria dos quais causou apenas pequenos danos, quase nunca vítimas.

"Mas agora eles usam foguetes Grad, que são mais diretos. Eles enviam uma mensagem ao mesmo tempo aos Estados Unidos e ao primeiro-ministro Mustafa al-Kazimi, a quem consideram um lacaio dos americanos", acrescenta Malik.

Mas a retirada das forças americanas presentes no quadro da coligação internacional anti-extremista já foi anunciada, falta apenas discutir as datas.

A escalada de terça-feira também é explicada pela mudança em Washington, ressalta Ramzy Mardini, do Instituto Pearson da Universidade de Chicago.

"Já é certo que Trump tem uma data de validade e isso deixa o Irã livre para aumentar a pressão por um tempo limitado", disse à AFP.

Ao aumentar os ataques, Teerã "busca que o cenário de retirada (americana) seja a única opção razoável que lhes resta", continua Mardini.

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