Publicado 18 de Novembro de 2020 - 15h06

Por AFP

Milhares de manifestantes pró-democracia permaneciam nas ruas na noite desta quarta-feira (18) no centro de Bangcoc, após os confrontos do dia anterior com a polícia e ultramonárquicos, que deixaram seis feridos.

"Você tem que ser o rei do povo!", "Liberdade!", escreveram os manifestantes sobre o asfalto de uma das principais avenidas comerciais da capital, enquanto seu movimento se torna cada vez maior contra a monarquia, um tabu ainda presente no reino, mas que começa a se enfraquecer.

Na manifestação participaram cerca de 20.000 manifestantes pouco depois do entardecer, de acordo com uma estimativa da AFP.

Vários milhares deles - alguns com escudos, capacetes e máscaras de gás - se reuniram em frente ao quartel central da polícia, protegido por caminhões de coleta de lixo, blocos de concreto e arame farpado.

Alguns lançaram projéteis contra a fachada do quartel, enquanto outros utilizaram pistolas de água para jogar tinta dentro do recinto.

Mais cedo, o porta-voz da Polícia nacional, Yingyos Thepjamnong, alertou os ativistas que não se aproximassem do edifício, acrescentando que foram enviados mais de 2.000 policiais para protegê-lo.

O movimento, que ocupa as ruas desde o verão (boreal), pede a renúncia do primeiro-ministro Prayut Chan-O-Cha, que ocupa o cargo após um golpe de Estado em 2014 e uma modificação da Constituição, julgada como favorável aos interesses do exército.

Em particular, luta pela abolição da lei de lesa majestade, um controle da fortuna real e pela não interferência do monarca em questões políticas.

Na terça-feira, a polícia antidistúrbios usou canhões de água com pressão e gás lacrimogêneo contra os manifestantes concentrados perto do Parlamento, onde deputados e senadores analisavam uma possível reforma constitucional.

Também houve confrontos entre manifestantes e grupos radicais, os "camisas amarelas", que defendem a monarquia.

No total, 55 pessoas ficaram feridas, seis delas por disparos com balas reais, de acordo com fontes médicas do centro médico de emergências Erawan de Bangcoc.

A origem dos disparos continua indeterminada. A polícia nega tenha usado munição real ou balas de borracha.

Uma investigação está em andamento e ao menos um ultra-monárquico ficou ferido por esses disparos, de acordo com a polícia.

O Parlamento votou à noite sobre quais projetos de emendas constitucionais aceita avaliar.

Impugnou o que abriria a possibilidade de uma reforma da monarquia, aceitando apenas estabelecer uma Assembleia constituinte.

O movimento pró-democracia afirma que deseja modernizar a instituição, mas em nenhum caso deseja abolir.

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