Publicado 18 de Novembro de 2020 - 14h36

Por AFP

O declínio catastrófico das populações mundiais de animais descrito em vários relatórios está superestimado devido ao método estatístico empregado, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (18), que questiona por exemplo um índice de referência citado pelo WWF.

O índice Planeta Vivo, elaborado a cada dois anos pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), foi utilizado em setembro pelo fundo WWF para concluir que o mundo perdeu 68% dos vertebrados entre 1970 e 2016. O relatório anterior estabeleceu o declínio em 60% das populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios.

Os autores do relatório publicado nesta quarta-feira na revista Nature analisaram este último: examinaram 14.000 populações de vertebrados acompanhadas desde 1970 e concluíram que menos de 1% são vítimas de uma queda extrema.

No entanto, levá-las em consideração "altera fundamentalmente a interpretação da evolução geral dos vertebrados", estimam, acrescentando que essa mensagem de "catástrofe onipresente" pode levar ao "desespero, negação e inação".

Portanto, sugerem empregar avaliações mais localizadas que "ajudem a priorizar os esforços de conservação".

"Reunir todas as curvas de populações em um só número pode dar a impressão de que a queda ocorre em todas as partes, baseando-se mais na matemática do que na realidade", explica à AFP o autor principal Brian Leung, do departamento de biologia da Universidade McGill de Montreal.

"Um panorama diferenciado é mais preciso: há populações em determinados ecossistemas que estão em declínio extremo, mas que não melhoram nem pioram em outros lugares. No entanto, há áreas geográficas onde a maioria das populações examinadas parece estar em queda. É importante identificá-las", continua Leung. Seria o caso, por exemplo, das aves na Ásia-Pacífico e dos répteis tropicais.

"Não é nenhuma novidade" que o índice Planeta Vivo é "sensível" às variações extremas, disse em um blog o doutor Robin Freeman, co-autor do estudo e membro da equipe que elaborou esse cálculo na ZSL.

Mas esses índices "podem servir de barômetro para a saúde dos ecossistemas", defendeu.

Questionado pela AFP, o WWF indicou seu sócio ZSL.

Nos últimos anos, os estudos que alertam sobre uma destruição em massa da biodiversidade devido à atividade humana se multiplicaram.

No ano passado, o grupo de especialistas da ONU sobre biodiversidade (IPBES) publicou uma avaliação sem precedentes, revelando um milhão de espécies ameaçadas de extinção e ecossistemas destruídos.

"Não estamos dizendo que não há problemas de biodiversidade, estamos dizendo apenas que não existem em todos os lugares", enfatizou Leung.

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