Publicado 18 de Novembro de 2020 - 11h15

Por AFP

O Brasil, segundo país com mais mortes pelo novo coronavírus, registra um aumento das hospitalizações que desperta o temor de uma segunda onda da pandemia como a que castiga a Europa e os Estados Unidos.

A média de óbitos, que tinha superado os mil por dia entre junho e agosto, caiu abaixo de 350 no começo da semana passada neste país de 211,8 milhões de habitantes, onde a doença já deixou 166.699.000 mortos. Mas nos últimos dias, tem superado as 500 mortes diárias.

O estado de São Paulo, o mais populoso e o que tem o maior número de casos e óbitos, teve na semana passada uma alta de 18% nas internações.

Esta cifra alarmante pressionou as autoridades locais a frear a flexibilização progressiva das restrições, iniciadas em junho.

Depois das quarentenas parciais, decididas após o registro dos primeiros casos, em fevereiro, a população foi relaxando o confinamento e hoje vivem quase normalmente, como se o vírus tivesse desaparecido.

Nas principais cidades do país, lojas, escolas, academias de ginástica e cinemas reabriram, enquanto as praias, os bares e os restaurantes ficam lotados de gente.

O aumento recente de internações foi reportado sobretudo em hospitais privados e na população mais jovem, de classes média e alta.

"Hoje acho que estamos lidando com 90 pacientes ou com covid ou com suspeitas de covid", enquanto nos últimos três meses, houve "um platô que variou muito pouco, entre 48, 50, 55 casos", disse à AFP Sidney Klajner, presidente do hospital Albert Einstein de São Paulo, um dos de maior prestígio do país.

"A maioria dos que estão positivando é de pacientes mais jovens", explicou.

No último fim de semana, um luau sem autorização atraiu mais de 2.000 pessoas - a maioria sem máscaras - na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. A taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva chegou a 95% na semana passada nos hospitais municipais do Rio.

Klajner considera prematuro, no entanto, falar de "uma tendência de crescimento" que configure uma segunda onda.

Mas Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto e chefe do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da USP, se mostra menos otimista: "Já estamos na segunda onda", avalia.

O especialista chama atenção para o aumento recente da taxa de reprodução do vírus, ou seja, do número de contágios por cada infectado. Uma taxa superior a 1 é considerada preocupante.

No começo de outubro, "a taxa de infecção estava em 0,97", com quatro dos 26 estados e o distrito federal acima de 1, diz Alves. Um mês depois, "está há vários dias acima de 1", afirma.

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