Publicado 17 de Novembro de 2020 - 22h16

Por AFP

O governo britânico faltou com transparência na atribuição de contratos de abastecimento e serviços nos valor de 18 bilhões de libras (24 bilhões de dólares) no combate ao novo coronavírus, segundo uma auditoria que será publicada nesta quarta-feira (18).

A publicação deste relatório ocorre no momento em que as forças da oposição acusam o governo do conservador de Boris Johnson de favorecer familiares ou doadores do Partido Conservador na concessão de contratos lucrativos relacionados com a covid-19.

No começo da pandemia, o Executivo teve que comprar urgentemente material de proteção para o pessoal sanitário em um mercado mundial com elevada demanda e pouca oferta, reconhece o Escritório Nacional de Auditoria (NAO), organismo encarregado de vigiar os gastos públicos.

"Admitimos que foram circunstâncias excepcionais", mas "continua sendo essencial que estas decisões estejam devidamente documentadas e sejam transparentes se o governo quer manter a confiança de que o dinheiro dos cidadãos é gasto de forma adequada e justa", afirmou seu diretor, Gareth Davies.

O documento "mostra que estas normas de transparência e documentação não foram observadas de forma sistemática durante a primeira fase da pandemia", ressaltou.

Segundo a NAO, até 31 de julho tinham sido firmados mais de 8.600 contratos no valor total de 18 bilhões de libras, dos quais 10,5 bilhões de libras foram atribuídos sem licitação.

Foi estabelecida uma "via de alta prioridade" para favorecer as empresas recomendadas por ministérios, funcionários, parlamentares e dirigentes do serviço de saúde pública.

O Executivo justificou a falta de licitações argumentando que se tratou de uma situação de emergência.

São citadas no relatório da NAO empresas vinculadas a ministros em setores como relações públicas ou inteligência artificial, com as quais foram firmados contratos de forma acelerada.

O jornal Sunday Times noticiou no domingo que o governo havia concedido 1,5 bilhão de libras em contratos com empresas relacionadas com os conservadores na primeira onda da pandemia, mas o governo negou estas acusações.

Esta falta de transparência poderia ser apenas "a ponta do iceberg", destacou a presidente do comitê de contas públicas da Câmara dos Comuns, a opositora trabalhista Meg Hillier.

jit-mpa-acc/mb/mvv

Escrito por:

AFP