Publicado 17 de Novembro de 2020 - 20h46

Por AFP

Da Europa aos Estados Unidos, os países estão se preparando para campanhas em massa após o anúncio de uma nova vacina com uma eficácia de quase 95% contra a covid-19, mas as restrições continuam diante de uma pandemia galopante, como demonstrado pela Áustria, reconfinada a partir desta terça-feira (17).

Nos Estados Unidos, de Nova York, no leste, a Seattle, no oeste, estados e cidades voltaram a impor medidas nos últimos dias para tentar conter a segunda onda do coronavírus. O número de casos no país, com mais mortes no mundo, ultrapassa 11 milhões, com mais de 247 mil óbitos.

O presidente eleito Joe Biden alertou que "mais pessoas podem morrer" se Donald Trump - que ainda não reconheceu sua derrota nas eleições nas quais disputava um segundo mandato - se recusar a cooperar com a equipe de transição em uma resposta nacional à covid-19, incluindo a rápida distribuição de vacinas.

As esperanças globais de superar a pandemia de covid-19 aumentaram na segunda-feira, quando o laboratório americano Moderna disse que sua vacina experimental mostrou quase 95% de eficácia. Uma semana antes, a farmacêutica Pfizer, também dos Estados Unidos, e a alemã BioNTech afirmaram que sua vacina, também em fase experimental, tinha 90% de eficácia.

Nos Estados Unidos, as duas vacinas poderão ser autorizadas pela agência reguladora de medicamentos (FDA) na primeira quinzena de dezembro, informou Moncef Slaoui, gerente científico da Operação "Warp Speed" (velocidade máxima), criada por Trump para imunizar a população americana.

Isso permitiria que 20 milhões de americanos fossem vacinados, com prioridade para idosos e em situação de risco, a partir da segunda quinzena de dezembro, e depois outros 25 milhões por mês a partir de janeiro, disse.

O diretor da Moderna, Stéphane Bancel, disse à AFP que "vários milhões de doses" de vacinas já foram fabricados nos Estados Unidos para os americanos.

Quanto à Europa, no dia 24 de agosto foram anunciadas "negociações avançadas" com a Comissão Europeia para a compra de 80 milhões de doses, mas nenhum compromisso concreto foi assinado.

Bancel alertou os europeus que essa "demora" pode atrasar as entregas, já que os países que assinaram antes terão prioridade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) celebrou as notícias "encorajadoras" sobre as vacinas, mas alertou que uma disponibilidade generalizada estaria a meses de distância e expressou preocupação com o aumento de casos em muitos países.

Na França, o governo "se prepara para distribuir uma vacina contra a covid-19" a partir de janeiro, caso seja aprovada, e para isso previu um orçamento de 1,5 bilhão de euros para 2021, disse nesta terça-feira o porta-voz do governo Gabriel Attal.

O país superou os dois milhões de casos registrados de covid-19 nesta terça-feira, mas, segundo o diretor-geral da Saúde da França, Jérôme Salomon, "os esforços coletivos estão começando a dar frutos" e a "epidemia está diminuindo".

Na vizinha Bélgica, o governo anunciou sua intenção de aplicar futuras vacinas gratuitamente a pelo menos 70% da população, ou 8 milhões de pessoas.

Apesar do otimismo trazido pelo anúncio da Moderna, as medidas de restrição continuam na Europa, onde mais de 15 milhões de casos de covid-19 foram registrados desde o início da pandemia.

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