Publicado 17 de Novembro de 2020 - 15h15

Por AFP

As três maiores geleiras da Groenlândia, ilha que contém gelo suficiente para aumentar o nível do mar em mais de um metro, podem derreter mais rápido que o antecipado pelas previsões mais alarmistas, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (17) na revista Nature Communications.

Os autores do estudo usaram imagens históricas e outros dados para estimar a massa de gelo perdida durante o século XX pelas três geleiras, Jakobshavn Isbrae, Kangerlussuaq e Helheim.

Eles estimaram que Jakobshavn Isbrae perdeu mais de 1,5 trilhão de toneladas de gelo entre 1880 e 2012, enquanto que o total para a Kangerlussuaq e a Helheim foi respectivamente de 1,3 trilhão e 3,1 bilhões de toneladas entre 1.900 e 2012.

Este degelo já provocou um aumento de mais de 8 mm do nível do mar, segundo o estudo.

"As medições históricas realizadas nos séculos XIX e XX poderiam esconder informações importantes que podem melhorar significativamente nossas projeções futuras", disse à AFP Shfagat Abas Khan, da Universidade Técnica da Dinamarca, destacando que as fotos tiradas antes da era dos satélites também são importantes para avaliar os degelos do passado.

O grupo de especialistas sobre clima da ONU (IPCC) estima que o degelo das geleiras e calotas poderia elevar o nível do mar entre 30 e 110 cm até o final do século, dependendo do nível de emissões de gases de efeito estufa.

Segundo seus modelos climáticos mais pessimistas, as três geleiras da Groenlândia contribuirão para um aumento entre 9,1 e 14,9 mm para 2100.

Mas o estudo publicado na Nature Communications destaca que esses modelos estão "subestimados. Para as três geleiras estudadas, a perda de gelo pode ser três ou quatro vezes maior que o previsto", segundo Khan.

Um estudo publicado em setembro na revista Nature concluiu que se as emissões de CO2 continuarem avançando no ritmo atual, as calotas polares da Groenlândia podem diminuir em 36 trilhões de toneladas entre 2000 e 2100, o suficiente para aumentar 10 cm no nível do mar.

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