Publicado 17 de Novembro de 2020 - 13h56

Por AFP

Uma empresa chinesa e quatro europeias competem pelo controle de um trecho da hidrovia Paraguai-Paraná, sistema fluvial que corta parte da América do Sul e de onde é exportada a produção agrícola da Argentina, Bolívia, Paraguai e sul do Brasil.

Essas empresas tentarão vencer uma licitação em 2021 para aprofundar o calado e realizar a manutenção de um trecho de 1.238 quilômetros localizado na Argentina, entre a confluência dos rios Paraná e Paraguai e o Rio da Prata.

Essa gigantesca obra de infraestrutura exigirá um investimento estimado de 3,8 bilhões de dólares, segundo a Bolsa de Valores de Rosário.

A Argentina vai licitar a concessão após 25 anos de gestão da belga Jan De Nul. Ao contrário do que aconteceu na década de 1990, um novo player mundial quer participar do negócio: a China, que já controla a Cofco, um dos três maiores portos agroexportadores argentinos.

Por esta razão, a Shanghai Dredging Company juntou-se às quatro empresas europeias que vão concorrer: as belgas Dredging International e Jan de Nul e as holandesas Boskalis e Van Oord.

O trecho a ser concedido tem 1.238 quilômetros de extensão, cerca de 25 portos exportadores e uma movimentação de grãos que no ano passado foi de 92 milhões de toneladas.

Cerca de 80 milhões de toneladas saíram dos portos em navios ultramarinos e o restante em barcaças que descem do norte com grãos brasileiros, bolivianos e paraguaios, disse à AFP Alfreso Sesé, especialista da Bolsa de Rosário.

Dos portos da grande Rosário são exportados 80% dos 120 milhões de toneladas de grãos e cereais produzidos pela Argentina.

"É um projeto fundamental para retirar os fluxos de mercadorias da Bolívia, Paraguai, Argentina e sul do Brasil e, assim, gerar mais industrialização e serviços com portos mais competitivos e com maior volume de carga. Isso vai melhorar a posição geopolítica da Argentina", disse Gustavo Idígoras, presidente da Câmara da Indústria do Petróleo da Argentina (Ciara).

A aposta principal é a melhoria do trecho sul, que liga os portos ao Atlântico, com o aprofundamento de alguns trechos para permitir a entrada e saída de navios maiores com carga total.

"O calado com água normal é de 34 pés e a profundidade em passagens críticas é de 36. Prevê-se que chegue a 42 pés de profundidade em áreas específicas", disse Sesé.

Nos últimos 25 anos, "a China passou da riqueza ao poder e agora está decidida a participar plenamente na distribuição mundial" do comércio, disse à AFP o internacionalista da Universidade Nacional de Rosário Esteban Actis.

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