Publicado 17 de Novembro de 2020 - 11h36

Por AFP

Com o retorno dos democratas ao poder nos Estados Unidos, a oposição a Viktor Orban espera que a pressão sobre a Hungria aumente, enquanto o país se prepara para relações tensas como as que ocorreram nos anos 2010.

Rejeição dos refugiados, antipatia pelos contra-poderes, gosto pelas "fake news". Os estilos de governo do polêmico primeiro-ministro húngaro (que enfrenta Bruxelas) e do derrotado presidente americano Donald Trump serviram para criar pontes entre ambos.

Tudo isso, no entanto, vai na contramão do que Orban encontrará no sucessor de Trump, Joe Biden, que durante seus anos como vice-presidente de Barack Obama denunciou as violações do Estado de Direito na Hungria, país-membro da União Europeia (UE) e da OTAN.

Budapeste se prepara, portanto, para o agravamento das relações com Estados Unidos e já na quinta-feira o chefe de gabinete de Viktor Orban, Gergely Gulyas, alertou o novo governo americano sobre o retorno de sua política de "exportação da democracia".

Aparentemente, a Hungria está se preparando para sofrer uma "punição" por seu apoio aos republicanos e estaria "disposta a entregar a batalha ao governo Biden", disse à AFP o cientista político húngaro Peter Kreko.

Durante a campanha eleitoral nos EUA, o candidato democrata denunciou as relações que o presidente Trump mantinha com o controverso líder deste país de 9,7 milhões de habitantes, acusando-o de "estender a mão a todos os bandidos do mundo".

A visita de Viktor Orban à Casa Branca em maio de 2019 foi a primeira de um líder húngaro desde 2005, e Trump aproveitou para elogiar seu homólogo dizendo que "era respeitado em toda Europa" porque fez "um bom trabalho".

Os analistas viram neste gesto amigável a recompensa pelo apoio que Orban deu ao candidato republicano durante sua campanha contra Hillary Clinton, já que foi o único líder da UE que o apoiou abertamente.

Durante o governo Obama e com Clinton como secretária de Estado, a postura com a Hungria foi diferente. Desse modo, os EUA repreenderam em 2011 a política de Orban chamando-a de "autoritária" e em 2014 proibiram a entrada nos país de dez personalidades húngaras suspeitas de corrupção.

Donald Trump, por sua vez, "ignorou de forma espetacular o retrocesso democrático e a crescente influência da Rússia e China na Hungria", considera Peter Kreko, diretor do think-tank Political Capital.

O líder soberano húngaro, no poder ininterruptamente desde 2010, não teve pressa em parabenizar Joe Biden por sua vitória e, quando o fez, limitou-se a comentar sua "campanha de sucesso" e lhe desejou "boa saúde" e sucessos.

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