Publicado 17 de Novembro de 2020 - 8h05

Por AFP

O grupo chinês de telecomunicações Huawei anunciou nesta terça-feira a venda de sua marca de telefones Honor, uma operação necessária, segundo a empresa, para salvar a mesma do que chamou de "terríveis" pressões provocadas pelas sanções americanas na rede de abastecimento.

O grupo privado com sede em em Shenzhen (sul da China) está no alvo do governo do presidente Donald Trump, que suspeita de espionagem para o governo chinês, algo que a empresa nega.

A Huawei, uma das três principais fabricantes de smartphones do mundo, entrou no ano passado em uma lista de Washington para ser impedida de adquirir tecnologias e componentes indispensáveis para seus telefones.

Um consórcio de 40 empresas chinesas comprou a Honor, incluindo distribuidores, agentes e outras companhias cuja sobrevivência depende da marca, que vende telefones baratos, informaram a Huawei e o consórcio.

O gigante chinês afirma que a produção enfrenta "terríveis pressões", pois o grupo não consegue suprimentos de componentes eletrônicos devido às sanções americanas.

"A venda ajudará os vendedores e fornecedores da Honor a superar este período difícil", afirmou a empresa em um comunicado. A ideia é que ao sair da órbita da Huawei, a Honor consiga retomar a linha normal de abastecimento.

A Honor, marca destinada principalmente aos jovens de baixa renda, vende, segundo a Huawei, quase 70 milhões de telefones por ano.

Após a venda, a Huawei não tem mais nenhuma ação e "não está envolvida na gestão do negócio nem na tomada de decisões da nova empresa Honor", explicou o grupo.

O governo americano adotou medidas para expulsar a Huawei do mercado nos Estados Unidos, dissuadir as empresas americanas de colaborar com o grupo chinês e cortar o fornecimento mundial de semicondutores e outros componentes.

O passado militar do fundador da empresa, Ren Zhengfei, assim como o fato de ser membro do Partido Comunista Chinês, alimenta as suspeitas sobre a influência do regime no grupo.

Washington intensificou as pressões sobre os aliados para que proíbam os equipamentos 5G da Huawei, alegando riscos em termos de cibersegurança.

A empresa chinesa nega de maneira categórica as acusações americanas e atribui a ofensiva ao desejo do governo americano de eliminar um rival poderoso.

De fato, a venda da Honor afetará a empresa nas vendas mundiais de smartphones, uma disputa que trava com a sul-coreana Samsung e com a americana Apple.

A Huawei se tornou a líder mundial no segundo trimestre de 2020, antes de cair para o segundo lugar no terceiro trimestre, de acordo com a consultoria Canalys.

"Esta aquisição é um investimento determinado pelo mercado para salvar a rede industrial da Honor", afirmou o consórcio de compradores.

"É a melhor solução para proteger os interesses dos consumidores, dos vendedores, dos fornecedores, sócios e funcionários da Honor".

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