Publicado 16 de Novembro de 2020 - 14h05

Por AFP

O arquipélago das Ilhas Canárias, exposto por meses a uma chegada em massa de migrantes, não será "uma nova Lesbos", defendeu o governo espanhol nesta segunda-feira em referência à ilha grega, onde muitos migrantes da Turquia ficaram presos.

"Não vamos transformar as Ilhas Canárias em uma nova Lesbos", disse o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, à televisão Antena 3.

Essa pequena ilha grega, localizada a poucos quilômetros da costa da Turquia, tornou-se a principal porta de entrada da União Europeia durante a crise migratória de 2015.

Muitos migrantes ficaram embarreirados ali, em campos superlotados e em más condições, de acordo com várias organizações internacionais.

Nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol na costa noroeste da África, eles temem passar por um processo semelhante depois de terem recebido mais de 16 mil migrantes em 2020, metade deles no último mês, segundo o executivo regional.

Os desembarques são dez vezes mais do que os registados no mesmo período de 2019 e atingem um valor nunca visto desde 2006, quando estas ilhas receberam cerca de 30.000 migrantes.

Representantes da Organização Internacional para as Migrações e do ACNUR, ambos dependentes das Nações Unidas, iniciaram esta segunda-feira uma visita de três dias às Ilhas Canárias e colocaram-se "à disposição" da Espanha para colaborar na gestão desta crise, afirmaram em comunicado conjunto.

Ao mesmo tempo, a Espanha redobra seus esforços diplomáticos com os países de origem e trânsito desses migrantes com o objetivo de travar a saída de embarcações e reiniciar o retorno de migrantes econômicos interrompidos pela pandemia.

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