Publicado 16 de Novembro de 2020 - 12h29

Por AFP

Durante o protesto começou uma chuva de balas. Dezenas de jovens morreram ou ficaram feridos em manifestações contra a violência policial na Colômbia. E em vários casos os que dispararam estavam uniformizados, de acordo com investigações em andamento e sobreviventes agredidos.

Nos dias 9 e 10 de setembro, multidões com pedras, paus e bombas se voltaram contra as delegacias de polícia em Bogotá pelo assassinato de Javier Ordóñez (43 anos).

Treze pessoas morreram em vários pontos de Bogotá e no município vizinho de Soacha. Tinham entre 17 e 36 anos. Outras 75 ficaram feridas por balas.

A AFP escutou vários feridos cujos depoimentos retratam essa noite de repressão.

A bala ricocheteou na borda metálica da janela antes de atingir o peito de Robert Valencia (35 anos). Os estilhaços alcançaram o nariz de seu irmão Henry (39).

Seus pais estavam apavorados, sem entender por que choviam balas dentro da casa onde têm um restaurante.

"Quando você vê um disparo no centro do peito, ao lado do coração, começa (...) a pensar que será a última vez que verá sua família", disse Robert. "Voltei a olhar meu pai e minha mãe e comecei a me despedir".

Ensanguentado, Henry chegou até seu carro estacionado a poucas quadras de distância. Seus pais levavam Robert nos ombros. Foram direto para um hospital, abrindo passagem entre manifestantes e policiais.

Enquanto aguardavam atendimento, Henry sentiu o receio de uma enfermeira, que acreditava que os negros "estavam atirando pedras" nos protestos.

A bala atingiu o esterno de Robert, um osso flexível que evitou um dano maior, e os estilhaços atingiram a narina direita de seu irmão.

Kevin Benítez (19) queria ser militar, mas um disparo da polícia o impediu. Com uma bala presa no braço esquerdo, o jovem relata como foi seu encontro com a desgraça.

Em 10 de setembro, enquanto voltava de uma partida de futebol, encontrou uma manifestação tranquila em frente a uma delegacia policial no sudoeste de Bogotá.

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AFP