Publicado 16 de Novembro de 2020 - 1h16

Por Estadão Conteúdo

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, afirmou neste domingo, 15, que a Corte "chamou para si a responsabilidade" da totalização dos votos ao concentrar esse medida no sistema do TSE. Segundo ele, apesar da lentidão enfrentada por uma falha técnica, a Corte está de "alguma maneira pagando um preço por ter feito uma opção por segurança". "Dados chegaram íntegros, se mantêm íntegros e assim serão divulgados", disse Fachin em coletiva à imprensa nesta noite.

Neste ano, o pleito conta com uma novidade no processo de totalização dos votos. Agora, essa etapa está concentrada no data center do TSE, enquanto que nos últimos pleitos o processamento era feito nesses sistemas dos TREs. Ou seja, houve uma redução de 27 pontos de totalização para um.

"Nesse momento, a opção que foi feita é extremamente positiva porque nós estamos tranquilos do ponto de vista da integridade dos dados", afirmou Fachin. Mais cedo, o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso havia afirmado que desde o primeiro momento não teve simpatia com essa opção, decidida antes que ele ocupasse a cadeira chefe da Justiça Eleitoral, o que ocorreu em maio.

Barroso disse também que possivelmente, por ser uma novidade, o modelo poderia estar na origem da instabilidade sofrida pelo TSE. Logo depois, no entanto, destacou que a justificativa que dispõe neste momento sobre a lentidão foi uma falha de hardware e que, portanto, não teria necessariamente a ver com a totalização dos votos centralizada.

Questionado se a medida foi tomada como forma de baixar custos, o presidente do TSE disse ser possível. Segundo ele, a concentração desse processo no TSE foi escolhida porque os Estados precisavam renovar seus equipamentos de totalização. "Portanto em vez de ter o custo de aquisição desses materiais em muitos Estados, era melhor um único para que isso ficasse centralizado no TSE", comentou Barroso.

O ministro ponderou, por outro lado, que também deve ter pesado na escolha um aumento na segurança do processo, já que um número maior de sistemas funcionando tendem a aumentar as vulnerabilidades. "Quanto ao aumento de segurança, quanto mais sistemas funcionamento, mais vulnerabilidades você têm", observou.

O ministro explicou mais cedo que a lentidão enfrentada na totalização dos votos se deve a falha de um dos núcleos de processadores do supercomputador usado na totalização de votos. Barroso ainda respondeu ser "possível" que a redução do número de servidores do TSE possa ser associada a esse problema. "Vou esperar relatório da tecnologia de informação", disse.

De acordo com o presidente do TSE, como medida de segurança tomada após o ataque ao sistema do Superior Tribunal de Justiça (STJ), um dos principais servidores da Corte foi retirado da rede para servir como uma cópia de segurança de todas as informações relevantes da Justiça Eleitoral. Contudo, isso fez com que o outro servidor principal utilizado pelo tribunal ficasse sobrecarregado. Esse problema foi uma das justificativas dadas pela Corte à instabilidade que os eleitores enfrentaram para usar o aplicativo e-Título.

O vice-presidente do TSE ainda afirmou que "evidentemente" para as eleições presidenciais de 2022 a escolha pela centralização do sistema de totalização será avaliada. "Nesse momento, a opção que foi feita é extremamente positiva porque nós estamos tranquilos do ponto de vista da integridade dos dados", disse Fachin.

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