Publicado 08 de Outubro de 2020 - 11h55

Por Estadão Conteudo

Alexandre Frota apresentou vários dados sobre esquema de fake news e as manifestações antidemocráticas em depoimento à Polícia Federal

Valter Campanatto/Agência Brasil

Alexandre Frota apresentou vários dados sobre esquema de fake news e as manifestações antidemocráticas em depoimento à Polícia Federal

As investigações conduzidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News identificaram ao menos 33 endereços IP ligados a três funcionários do deputado estadual Douglas Garcia que estariam envolvidos em um suposto esquema de 'linchamento virtual' por meio de fake news. Entre eles, está Edson Pires Salomão, que se afastou da chefia do gabinete de Douglas Garcia para concorrer ao cargo de vereador de São Paulo nas eleições 2020.

A informação foi apresentada pelo deputado Alexandre Frota no depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 29 no inquérito que apura o financiamento e divulgação de atos antidemocráticos.

Os dados relacionados aos assessores de Douglas Garcia foram apresentados por Frota na esteira de informações que implicariam diretamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). No caso de Eduardo, os investigadores identificaram IPs de computadores supostamente responsáveis pela 'orientação, determinação e divulgação' de 'fake news' e ataques virtuais em dois endereços ligados ao filho '03' do presidente: um no Jardim Botânico, onde o deputado mora em Brasília; e outro na Avenida Pasteur, no Rio, imóvel que o filho do presidente declarou à Justiça Eleitoral.

Já no caso dos assessores de Douglas Garcia, Frota indicou que os IPs identificados pela CMPI das Fake News apontam para ao menos quatro endereços: um no Itaim Bibi (em São Paulo), casa de Edson Salomão; em Santos e no Guarujá, ligados a Lilian Goulart da Silveira; e um no bairro Aclimação em São Paulo, de propriedade de Eduardo Martins. Somente com relação a este último, os investigadores teriam identificado 30 endereços de IP e uma linha telefônica.

Em seu depoimento, Frota ainda frisou que os três assessores de Douglas Garcia são ligados ao Movimento Conservador, que é coordenado pelo deputado estadual em conjunto com seu ex-chefe de gabinete, Edson Salomão. Este último é investigado no inquérito das fake news no Supremo e foi alvo de buscas em maio no âmbito das apurações. Na ocasião, os agentes apreenderam computadores no gabinete de Garcia na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O deputado federal também destacou que Eduardo Bolsonaro é 'apoiador ostensivo' do movimento, tendo compartilhado ataques à ex-aliada de Bolsonaro, Joice Hasselmann, que foram criados pelo Movimento Convervador. Os mesmos faziam alusão personagem Peppa Pig, o que acabou virando mote da campanha da candidata à Prefeitura de São Paulo.

O outro lado

Em nota, o deputado Douglas Garcia afirmou: "Não existe esquema de ataques virtuais, não temos acesso aos documentos da CPMI e no meu apenso do inquérito 4781, foi feito perícia nos meus equipamentos e nada que pudesse me prejudicar foi encontrado. Lamento que estejam dando credibilidade para o Alexandre Frota, que foi condenado por fakenews nas eleições de 2018 e denunciado pelo MP recentemente por falsidade ideológica".

Santos Cruz teria sido pressionado a contratar bolsonaristas

No depoimento à Polícia Federal, o deputado Alexandre Frota afirmou que o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, à época que este chefiava a Secretaria de Governo da Presidência da República, teria lhe confidenciado que estava 'sofrendo pressão de pessoas ligadas ao governo para que ele de alguma forma auxiliasse, financiasse ou contratasse canais que operassem portais de apoio ao presidente Bolsonaro'. Segundo Santos Cruz teria relatado a Frota à época, 'diversas vezes foi levado a ele propostas de contratação de serviços' que seriam prestados pela empresa do blogueiro Allan dos Santos.

A Polícia Federal investiga, no âmbito do inquérito sobre os atos antidemocráticos, se o governo Bolsonaro direcionou verbas de publicidade para financiar páginas na internet dedicadas a promover manifestações contra a democracia. A relação do grupo investigado com o governo chegou às autoridades justamente através da CPMI das Fake News, que repassou informações sobre anúncios da Secretaria de Comunicação da Presidência da República em sites e páginas ligadas aos investigados.

O parlamentar afirmou à PF que a resistência de Santos Cruz frente a tais demandas acabou fazendo com que ele passasse a ser vítima do 'linchamento virtual' coordenado pelo 'gabinete do ódio'. Em depoimento, Frota disse ainda que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News inclusive identificou diversos conteúdos de ataque a Santos Cruz, tendo rastreado contas e IPs relacionados à estrutura que, segundo ele, foi montada para 'linchar' opositores do governo Bolsonaro.

Santos Cruz deixou o governo em junho de 2019, sob desgaste, após ser criticado pela rede bolsonarista.

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