Publicado 07 de Outubro de 2020 - 19h05

Um dia, bem lá atrás, encontrei Antonio Fagundes numa lanchonete do Cal Center, na Faria Lima, ele quietinho num canto, completamente entregue a leitura de um livro. Provavelmente usou aquele momento como espera dos vários cinemas que existiam lá. Curioso é que, mesmo sendo ele uma pessoa já conhecida, nem eu e nem ninguém, entre os tantos que passaram por ali naquele momento, tivemos a ousadia de interrompê-lo com um cumprimento ou pedido de autógrafo. Naquele tempo, década de 1990, nem se imaginava que um dia a selfie viria a existir. Pois bem, hoje, em Bom Sucesso, em uma iniciativa das mais interessantes dos autores Rosane Svartman e Paulo Halm, encontramos o personagem Alberto Prado, do Fagundes, dono da editora de livros, Prado Monteiro, às voltas com uma grave crise financeira. Nada mais oportuno, principalmente porque o mercado do livro, aqui do lado de fora, também atravessa o seu momento mais difícil — livrarias fechando as portas e as que bravamente resistem, registrando seguidas quedas de vendas. A literatura juvenil e artes têm os piores desempenhos. Quem sabe a força de uma novela possa contribuir para aliviar um futuro com perspectivas tão ruins.