Publicado 07 de Outubro de 2020 - 5h30

Em 2005, uma novidade movimentou a Região Metropolitana de Campinas: o início das obras de um teatro e quatro estúdios que comporiam um polo de produção de filmes e um festival na cidade de Paulínia (SP), até então conhecida por sediar um polo petroquímico. Depois de produzir cerca de 45 filmes e seis festivais em nove anos, o polo foi extinto em 2014.No livro Paulínia – Uma História de Cinema, (Paco Editorial, 216 págs.), o jornalista e crítico de cinema João Nunes narra cronologicamente a construção de um teatro grandioso, com 1,3 mil lugares, dois estúdios pequenos, um médio e um grande, comenta bastidores de diversos filmes rodados na região, detalha todos os passos de seis festivais, conta episódios que só ele presenciou, entrevista alguns dos protagonistas da história e fala dos desencontros políticos que motivaram o fim da experiência cinematográfica na cidade.Vários dos filmes rodados na região se transformaram em sucesso nacional, tais como Chico Xavier (Daniel Filho), O Palhaço (Selton Mello), Ensaio sobre a Cegueira (Fernando Meirelles) e Vai que dá Certo (Maurício Farias e Calvito Leal). Até Tropa de Elite 2 (José Padilha), a maior bilheteria do cinema brasileiro, com mais de 11 milhões de ingressos vendidos, recebeu suporte financeiro de Paulínia para o lançamento, que aconteceu nacionalmente na cidade, atraindo imprensa do Brasil inteiro.Tudo isso é escrito em primeira pessoa, o que faz do narrador um personagem do livro: o jornalista que acompanhou o processo desde o primeiro anúncio da construção do polo até o desmanche de uma estrutura que em pouco tempo passou a ser o centro das atenções do audiovisual brasileiro.Antes de Campinas, o livro será lançado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no dia 22.Prefácio

Autor do prefácio, o presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema – Abraccine, Paulo Henrique Silva, escreve: “É esse rico bastidor que vemos detalhado na escrita refinada, saborosa e levemente irônica de João Nunes, jornalista do jornal Correio Popular de Campinas, testemunha privilegiada do nascimento e da falência do festival. A história do festival está profundamente identificada com o autor. Em cada linha registrada neste livro, a sensação é de que Nunes está contando um pouco de suas inquietações de vida”, diz ele.