Publicado 08 de Outubro de 2020 - 20h51

Por Maria Teresa Costa/AAN

Campinas registra mais 2 mortes por Covid-19

Wagner Souza/AAN

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A queda na taxa de fecundidade fez cair em 27,7% a proporção de crianças com idade até 12 anos no total da população da Região Metropolitana de Campinas (RMC) entre 2000 e 2020, segundo a Fundação Seade, que divulgou nesta quinta-feira (8) estudo sobre a dinâmica da população do Estado nos últimos anos. Em 2000, essas crianças representavam 20,04% da população, e agora, 14,47%. Nesse período, a população total na região cresceu 36,2% - saiu de 2.342.881 para 3.193.332 habitantes.

Em 2000, a RMC tinha 469.684 crianças de até 12 anos, e em 2020 são 462.379, queda de 1,5%. A redução ocorre, segundo o estudo, pela queda nas taxas de fecundidade verificadas em todo Estado, de 4,3 filhos por mulher para 1,7 filho. Em 2000, todas as cidades da região tinham mais de 15% de sua população composta por crianças com menos de 12 anos, e este ano são apenas nove, menos da metade da região. A menor proporção de crianças ocorre em Valinhos, de 13,02% e a maior em Morungaba, de 16,88%. Em Campinas, a proporção é de 14,23%.

Para a demógrafa Rosana Baeninger, professora colaboradora do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp, a diminuição do grupo jovem é o fenômeno mais evidente da transição demográfica. “Mesmo que ainda haja muitas mulheres em idade reprodutiva, elas tendem a ter menos filhos que nossas mães e avós”, disse.

A queda na taxa de fecundidade, afirma, faz com que proporcionalmente os grupos etários seguintes passem a ter um peso maior no total da população e isto vai se refletir em um aumento na proporção da população em idade ativa (15-59 anos) e na população idosa (60 anos e mais).

Essa menor participação do grupo infantil (até 12 anos), afirma, tem sido discutida como a janela de oportunidades na transição demográfica, com a possibilidade de garantir uma melhoria na educação (para este público que será menor do que em décadas passadas) e aproveitar a maior participação de jovens em idade ativa para se qualificar e se preparar para o mercado de trabalho, antes que a população tenda a um envelhecimento contínuo.

A queda na taxa de fecundidade vai fazendo as populações das cidades encolherem em números, tendência que, segundo Rosana, será ainda mais consolidada com a manutenção na diminuição também das migrações internas.

A taxa de fecundidade no Estado está em 1,7 filhos por mulher. Para que a reposição populacional seja assegurada, a taxa de fecundidade não pode ser inferior a 2,1 filhos por mulher, pois as duas crianças substituem os pais e a fração 0,1 é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingir a idade reprodutiva.

O estudo da Seade mostra que a maior redução na proporção de crianças na população total da RMC ocorre em Hortolândia. Em 2000 elas eram 24,37% da população da cidade e agora, 15,22%, queda de 37,54. Já a menor está em Holambra que, no período caiu de 20,43% para 16,71, queda de 18,20%.

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Maria Teresa Costa/AAN