Publicado 07 de Outubro de 2020 - 11h48

Por Alenita Ramirez

Marcelo Bonifácio faz campanha para exumar e guardar os restos mortais do Paulinho Zago

Wagner Souza/AAN

Marcelo Bonifácio faz campanha para exumar e guardar os restos mortais do Paulinho Zago

O presidente da Associação dos Expositores do Centro de Convivência (Asecco), de Campinas, Marcelo Bonifácio, está buscando ajuda para pagar até o próximo dia 15, as taxas de exumação, remoção e enterro dos restos mortais do artesão Paulinho Zago, que faleceu no dia 17 de outubro de 2017. O corpo do artesão foi enterrado em uma cova pública do Cemitério dos Amarais e conforme as normas da Serviços Técnicos Gerais (Setec), após três anos, é feito a exumação do corpo. Para quem tem cova própria, os ossos são recolhidos e guardados em uma pequena caixa em um canto. No caso de covas públicas, se não há reconhecimento da família, os ossos são descartados pela Setec.

Paulinho Zago não tinha família e morava em pensões. Sua família eram as pessoas com quem ele convivia diariamente. Sem um túmulo próprio, o destino dos seus ossos será o ossuário comum, para onde são levados todos ossos de pessoas que morreram, sem reclamação de família. “Estamos preocupados. Não temos condições de comprar um túmulo para colocar os restos mortais dele neste momento, mas queremos guardar. Consegui um local, mas é preciso de R$ 1.450,00 para pagar as taxas necessárias e estamos pendido ajuda de quem puder contribuir”, disse Bonifácio.“Paulinho era uma figura importante de Campinas, em especial para a memória da história da Feira Hippie”, acrescentou.

Conhecido em Campinas por seu estilo hippie – tinha cabelo comprido, usava chapéu de couro, andava de sandália -, Paulinho começou a trabalhar na Feira Hippie em 1973. Ele era um dos artesões mais antigos da feira, ao lado dos fundadores: Erasmo Caserta, Edson Cornélio (faleceu em 2013) e Ariovaldo Pulga são os fundadores da Feira Hippie, em 1972. Paulinho, natural de Mogi Mirim, chegou pouco tempo depois. Todos eram amigos. Quando era vivo, Edson chegou a abrigar Paulinho em sua casa. Paulinho não era casado e não tinha filhos. “O corpo do Edson está enterrado no Parque das Flores. A sobrinha dele deixou que eu colocasse os restos mortais do Paulinho lá, com o amigo. Mas o desejo da associação é conseguir um túmulo próprio para ele”, falou Bonifácio, que ainda guarda os objetos usados e confeccionados pelo artesão.

Paulinho usava o próprio chão para expor suas peças. Como o presidente da Asecco define, era o verdadeiro hippie. Andava de chinelo, fazia brincos, anéis, colares com pena, concha de mar e sementes. O artesão morreu aos 67 anos por complicações causadas em decorrência de uma queimadura em um dos pés. Era diabético e não sabia. Teve que amputar a perna e durante internação pegou uma infecção. Poucas pessoas o ajudaram no fim de sua vida. Quem puder ajudar, o telefone de Bonifácio é (19) 9-9859-6931.

 

Segundo a Setec, no ossuário comum os ossos ficam para sempre, mas depois de levados para o local não tem como identificar, uma vez que os ossos são colocados junto aos outros.

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Alenita Ramirez