Publicado 07 de Outubro de 2020 - 7h57

Por Maria Teresa Costa

Especialista aponta que estratégia é eficiente, mas exige cuidados

Cedoc/RAC

Especialista aponta que estratégia é eficiente, mas exige cuidados

A maioria dos candidatos a prefeito de Campinas está impulsionando publicações da campanha para ampliar o alcance de postagens nas redes sociais. Oito dos 13 candidatos gastaram até agora, juntos, R$ 71,7 mil, para alavancar a propaganda eleitoral em plataformas como Facebook, Instagran, Twitter e Google. 

Quem mais gastou com esse tipo de mecanismo até agora foi Artur Orsi (PSD), que investiu R$ 21,2 mil – seu candidato a vice, Capitão Pereira, gastou R$ 128 – seguido de Dário Saadi (Repub) com R20,1 mil. O candidato do Cidadania, André Von Zuben destinou R$ 17,8 mil. Já Rafa Zimbaldi (PL) gastou R$ 6,4 mil, Wilson Matos (Patriota) R$ 3,7 mil, Delegada Teresinha R$ 1,5 mil, Pedro Tourinho, R$ 600 e Rogério Menezes menos de R$ 148. Os demais candidatos não estão com gastos relacionados na seção Transparência da Página das plataformas.

As postagens pagas dos candidatos foram enquadradas na categoria “temas sociais, eleições ou política”, que especifica quem está financiando o impulsionamento. Anunciar nas redes sociais custa o quanto o candidato está disposto a pagar. Ele informa o valor e a plataforma diz qual será o alcance potencial da postagem. Por exemplo, gastos entre R$ 1 mil a R$ 1,5 mil têm alcance potencial de 500 mil a 1 milhão de pessoas.

O especialista em marketing digital, Rodrigo Mendonça, afirma que impulsionar postagens é uma forma eficiente de dar publicidade às campanhas eleitorais, mas para angariar votos é necessária uma boa estratégia de divulgação e propostas de governo realistas. “Não adianta prometer que vai isentar toda a cidade do pagamento de impostos, porque o eleitor sabe que isso é inviável, mesmo que a mensagem tenha chegado a milhões de pessoas”, disse.

Segundo ele, essa campanha será diferente das anteriores, por causa da pandemia, que impede aglomerações de pessoas e dificulta o contato presencial dos candidatos que acabam ficando restritos a reunião com poucas pessoas. “Com as redes sociais eles conseguem atingir milhares de eleitores de forma rápida e sem riscos”, disse.

O impulsionamento de conteúdo é permitido, mas a Justiça Eleitoral estabeleceu algumas limitações. A publicidade só é permitida se feita pela conta oficial do candidato, do partido ou da coligação. Apoiadores e eleitores não podem lançar mão desse mecanismo para divulgar um candidato, porque configura abuso do poder econômico e pode levar à cassação do candidato. Os candidatos, assim, podem usar mídia paga para impulsionar as publicações em mídias sociais, e também para garantir posições de destaque nas páginas de respostas dos grandes buscadores, como o Google, através de anúncios contratados no Google Ads.

Mas o candidato não pode contratar uma empresa terceirizada para impulsionar qualquer conteúdo eleitoral - o impulsionamento deve ser contratado diretamente com as redes sociais, que devem ter foro no Brasil.

Este ano, as postagens poderão continuar no ar no dia da eleição, o que era vetado nas eleições de 2018. Mas está proibida a publicação de novos conteúdos e impulsionamento pelos candidatos – quem descumprir pode incorrer em crime eleitoral.

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Maria Teresa Costa