Publicado 07 de Outubro de 2020 - 7h52

Por Francisco Lima Neto

Apesar das reformas no Centro de Convivência já terem começado, o saguão do teatro será palco de uma exposição especial a partir deste sábado

Matheus Pereira/AAN

Apesar das reformas no Centro de Convivência já terem começado, o saguão do teatro será palco de uma exposição especial a partir deste sábado

Nove anos após a interdição, começaram as obras de reforma do Centro de Convivência Cultural, em Campinas. Ney Carrasco, secretário de Cultura, se diz satisfeito, porque a reforma desse equipamento público, que começou na última segunda-feira, "é um ponto de honra". 

O palco de teatro Luís Otávio Burnier, no Centro de Convivência Cultural, foi interditado pela Prefeitura em 14 de dezembro de 2011, com base em laudo da Secretaria de Urbanismo, que realizou vistoria técnica e constatou risco de curto-circuito.

A reforma custará R$ 17,8 milhões e será realizada pela Construtora Progridor Ltda, vencedora da licitação. O custo total está estimado em R$ 41,4 milhões e, por enquanto, a Prefeitura tem R$ 19,1 milhões garantidos por convênio com o governo do Estado, assinado em novembro do ano passado.

"Finalmente começou. (A reforma) É um ponto de honra nosso desde a chegada aqui. Quando eu cheguei, meu primeiro ato na Secretaria de Cultura foi ver todo o material do Convivência porque sempre foi uma meta. A gente achava que seria muito antes, até mesmo no primeiro mandato (do prefeito Jonas Donizette-PSB), mas a gente não esperava encontrar tantos percalços", desabafa.

Carrasco acreditava que já existissem todos os laudos sobre o local, mas foi preciso começar do zero. "Não tinha nada. Foram meses para o primeiro laudo. Precisou de testes na estrutura. Os testes levaram 180 dias. O laudo final ficou pronto em novembro de 2014. Em janeiro de 2015 começamos a fazer o projeto de reforma. Tinha o convênio com o estado para começar a obra, mas mudou o governador, cancelou tudo. Teve de refazer o convênio e finalmente estamos chegando à obra", comemora.

Para o secretário, o início das obras representa muito para a cidade. "É um grande patrimônio cultural, patrimônio arquitetônico, um projeto maravilhoso do Fábio Penteado. Como artista tenho carinho muito grande, por isso é um ponto de honra para nós. Vim em 1982 estudar composição, música, na Unicamp, foi o primeiro teatro em que toquei, que tocaram peças minhas, vi grandes nomes lá. Tem laços afetivos e é uma das maiores cobranças que recebo. Vamos devolver para a cidade esse patrimônio", afirma.

A reforma prevista na primeira fase inclui a recuperação estrutural, com intervenções no sistema de drenagem, eliminação de infiltrações, de fissuras e reparos em ferragens e concreto armado; impermeabilização e substituição completa das redes elétrica e hidráulica. Também serão feitas as adequações para acessibilidade e para atender às normas de segurança do Corpo de Bombeiros.

Nessa primeira fase também ocorrerá o rebaixamento, em meio metro, do fosso da orquestra. A conclusão dessa etapa de obra vai permitir o uso do espaço para exposição administrativa, a reativação da sala de ensaio da Orquestra da Sinfônica Municipal e também o uso do espaço onde durante anos funcionou o bar Ricoletta.

Carrasco diz que essa primeira fase deve durar dois anos. "É a fase mais demorada, de fato, porque mexe com todo o prédio. A segunda fase é tudo na sala de espetáculo, então é a acústica, cadeiras, equipamentos cênicos é como construir a casa e depois decorar. Se as obras forem aceleradas, em dois anos e meio pode estar tudo pronto. Pode ter aceleração, mas depende da empresa. É pago por fase cumprida. Então isso facilita também porque é do interesse da empresa", explica.

Na segunda fase das reformas no local, ainda sem prazo previsto, ocorrerá instalação do sistema de climatização, exaustão e ar-condicionado, acústica, cenotecnia, áudio e vídeo, automação, luminotécnica e limpeza geral. A Prefeitura não definiu de onde virá o restante do recurso para concluir toda a reforma, mas poderá ser de novo repasse do governo ou de empréstimo.

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Francisco Lima Neto