Publicado 07 de Outubro de 2020 - 7h43

Por Gilson Rei

Depois de 200 dias ausentes das escolas, estudantes da rede particular de ensino de Campinas estão liberados para retornar às aulas presenciais

Cedoc/RAC

Depois de 200 dias ausentes das escolas, estudantes da rede particular de ensino de Campinas estão liberados para retornar às aulas presenciais

Em meio a uma grande polêmica, perto de 46 mil estudantes de 380 escolas particulares — que representam 95% da rede privada e 33% do total de alunos — retomam as aulas presenciais de reforço a partir de hoje em Campinas, depois de 200 dias de aulas remotas por conta da pandemia do coronavírus. Exigências impostas pela Justiça do Trabalho opõem os sindicatos dos professores e das escolas.

Em uma resposta a uma ação civil pública do Sindicato dos Professores (Sinpro), a 3ª Vara do Trabalho de Campinas determinou que as escolas devam se abster de convocar para o trabalho presencial os empregados enquadrados no grupo de risco — idosos e os que têm doenças crônicas e os que têm familiares nessas condições. Devem, ainda, realizar testes de Covid-19 em todos os funcionários, além de fornecer todo o equipamento de segurança previsto nos protocolos de saúde.

De acordo com a decisão do Juiz do Trabalho, Eduardo Alexandre da Silva, as instituições de ensino que não cumprirem as obrigações serão penalizados com multa diária de R$ 5 mil por empregado prejudicado e por determinação descumprida. O Sinpro queria impedir o retorno das aulas presenciais, mas o juiz não acolheu o pedido, estabelecendo, entretanto, exigências mínimas.

O diretor da regional Campinas do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Antonio Francisco dos Santos, disse ontem que as instituições já obedecem ao protocolo e até realizam medidas extras de segurança. Garantiu que realizaram os testes de Covid nos funcionários e professores; que abasteceram de EPIs e outras medidas de prevenção e que isolaram os trabalhadores do grupo de risco.

Informou, no entanto, que a entidade recorreu da decisão, por não concordar com um aspecto da decisão: a que determina que a escola não poderá convocar para retorno ao trabalho presencial os empregados que moram ou convivem com pessoas enquadradas em grupo de risco, até que estejam imunizados pela vacinação.

O impasse deve se manter nos próximos dias, pois o pedido de agravo apresentado pelo Sieeesp já foi negado ontem pela desembargadora Maria Madalena de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Com isso, o retorno às atividades presenciais deverá ter novos capítulos.

Um decreto municipal editado ontem prevê limite de 35% de alunos por sala. Santos explicou que cada escola deverá ter um percentual de alunos diferente neste retorno, em que os estudantes não estão obrigados a voltar às aulas presenciais. Todas as escolas fizeram pesquisas com os pais de alunos e cada família optou por sua preferência neste momento de pandemia.

O levantamento prévio feito pelo Sieeesp revela que cerca de 400 escolas particulares de Campinas associadas foram consultadas sobre o retorno, e que apenas duas informaram que vão se manter fechadas. Santos destacou que as escolas estão bem estruturadas para dar aulas dentro das normas de segurança e protocolos. "Além disso, os professores e funcionários das escolas foram testados antes deste reinício presencial", comentou.

Protocolo

O protocolo estabelecido pelo governo do Estado para a volta das aulas presenciais prevê o retorno de forma gradual. Na primeira etapa, até 35% dos alunos poderão voltar às aulas presenciais, respeitando o distanciamento de 1,5 metro entre eles, com o restante dos alunos em aulas remotas e on-line.

Esse formato deve ser adotado em forma de rodízio. As deverão adotar medidas como higienização das salas de aula antes de cada turno; higienização dos banheiros e cada três horas e na abertura e fechamento unidade; marcação do distanciamento nos pisos; estudantes não podem compartilhar objetos e materiais; dada estudante deve ter seu próprio copo ou garrafa, caso não os possua deverá utilizar copos descartáveis. Além disso, as escolas devem evitar que pais, responsáveis ou qualquer outra pessoa de fora entre na escola.

No transporte escolar os alunos e servidores devem usar máscaras de tecido no transporte e por todo o percurso; veículo deverão intercalar um assento ocupado e um livre, orientar os alunos a não tocarem nos bancos, portas e janelas e disponibilizar álcool em gel 70% para higienização das mãos. As janelas devem permanecer semiabertas para circulação de ar e devem ser higienizados entre uma viagem e outra.

Balanço indica quase 34 mil infectados

Balanço divulgado ontem pela Prefeitura de Campinas indica que o total de casos de Covid-19 na cidade chegou a 33.948. Foram 165 novas notificações em relação ao boletim divulgado na véspera. O total de mortes pela doença é de 1.253, com cinco registros a mais em relação à segunda-feira.

Os pacientes recuperados de Covid-19 somam 32.299. Há, ainda 632 casos em investigação e outros 14 óbitos que aguardam resultados de exames para confirmação das causas.

Nos hospitais de Campinas existem 251 pacientes internados com coronavírus, três a mais em relação ao boletim anterior, e 144 pessoas em isolamento domiciliar (35 a mais).

Todas as vítimas fatais anunciadas ontem tinham doenças associadas, as chamadas comorbidades. Duas eram do sexo feminino e todos tinham 60 anos ou mais de idade. (AAN)

Escrito por:

Gilson Rei