Publicado 06 de Outubro de 2020 - 9h40

Por Alenita Ramirez

Criminosos faziam rota internacional de drogas e tinham como base das atividades Viracopos

Wagner Souza/AAN

Criminosos faziam rota internacional de drogas e tinham como base das atividades Viracopos

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (6), uma megaoperação contra uma organização criminosa, com ramificações em diversos estados do Brasil e no exterior, voltada ao tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, que tem como base de atividades o Aeroporto Internacional de Viracopos. Dois suspeitos, um no bairro Campo Belo e outro no Jardim Eldorado dos Carajás, morreram em confronto com a polícia. Ao menos 35 pessoas (duas mulheres) foram presas, entre elas um policial civil e um militar, até as 8h, além da apreensão de R$ 180 mil em uma casa em Monte Mor.

Denominada Operação Overload, as investigações iniciaram-se em fevereiro de 2019, com uma apreensão na área restrita de segurança (ARS) do Aeroporto Internacional de Viracopos, de 58kg de cocaína com destino a Europa.

A partir dessa apreensão, segundo a PF, foi feito um mapeamento da atuação de toda a organização criminosa, identificando as respectivas lideranças, as pessoas com quem se relacionaram e o processo utilizado para exportar grandes quantidades de cocaína, a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos, com destino ao continente europeu, além dos métodos utilizados para ocultar o lucro obtido com o empreendimento criminoso.

Os agentes federais apuraram que a essa organização era composta por brasileiros, que eram os principais fornecedores da cocaína e financiadores do esquema criminoso, além de serem responsáveis pelo aliciamento de funcionários aeroportuários; pela interferência ilícita nas operações de logística aeroportuária e lavagem de dinheiro; e de estrangeiros, cuja atuação se dava em solo europeu no recebimento da droga.

De acordo com a PF, além dos funcionários e ex de empresas prestadoras de serviço na área restrita de segurança também há dezenas de outros envolvidos como vigilantes, operadores de tratores, coordenadores de tráfego, motoristas de viaturas, auxiliares de rampa, operadores de equipamentos e funcionários de empresas fornecedoras de refeições a tripulantes e passageiros, que eram os responsáveis pelo esquema de embarque das drogas nas aeronaves com destino ao exterior. Um policial militar e um policial civil também foram cooptados pelos criminosos.

Ao todo, mais de 200 policiais federais, 80 policiais militares e seis policiais civis participam do cumprimento de 44 mandados de busca e apreensão e 35 mandados de prisão temporária, em quatro estados do país.

As investigações contaram com a cooperação entre instituições e órgãos públicos, tais como Secretaria da Receita Federal do Brasil, PRF e Polícia Militar do Estado de São Paulo e as prisões dos policiais contaram com a cooperação da Corregedoria da Polícia Militar e do Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior (Deinter-2) em Campinas.

Overload vem do termo inglês empregado para excesso de carga ou carga excessiva, com alusão à droga ilícita inserida clandestinamente nos aviões em meio a carga regular.

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Alenita Ramirez