Publicado 06 de Outubro de 2020 - 7h28

Por Daniel de Camargo

A vazão do Rio Atibaia, no ponto de medição da estação em Campinas, é considerada dentro da normalidade

Matheus Pereira/AAN

A vazão do Rio Atibaia, no ponto de medição da estação em Campinas, é considerada dentro da normalidade

Depois de Valinhos decretar estado de emergência hídrica em meados de setembro, outra cidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC) adotou medida para que a população não sofra com a falta de água em meio à longa estiagem. A Prefeitura de Santo Antônio de Posse, que tem cerca de 21 mil habitantes, deu início a um racionamento ontem, com corte das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira.

De acordo com a Administração, se trata de uma ação preventiva. "(...) Frisamos que, nenhuma residência ficará sem água durante o período de racionamento, mas pedimos a atenção de todos para o uso consciente", informou em nota publicada no Facebook. O texto ressalta ainda que, entidades e departamentos públicos, como unidades de saúde e Pronto-Socorro, estarão abastecidos durante o racionamento.

Na última sexta-feira, o Executivo publicou decreto no Diário Oficial colocando a cidade em estado de atenção, com o racionamento dos recursos hídricos. Quem descumprir a medida pode pagar multa e o valor dobra em caso de reincidência. Ficou estabelecido que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) fará a fiscalização para evitar desperdício de água. A população pode auxiliar neste trabalho com denúncias a serem feitas presencialmente na Prefeitura ou por meio das redes sociais.

De acordo com o DAE, algumas práticas colaboram com o uso consciente de água, como juntar as roupas antes de lavar na máquina, evitando fazê-lo apenas com uma ou duas peças. Entre outras, tomar banhos rápidos, fechar a torneira ao escovar os dentes, retirar alimentos congelados do refrigerador com antecedência e não usar a mangueira caso precise lavar o carro.

Em Valinhos, o decreto vigora até a próxima segunda-feira. Ele autoriza, sem a necessidade de licitações, a aquisição de bens e produtos, inclusive de água tratada, para evitar o agravamento do problema. Na cidade, ainda não foi feito racionamento. Porém, ações de conscientização e medidas com uso de caminhões-pipa estão sendo realizadas.

Campinas

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), empresa responsável pelo abastecimento de água em Campinas, informou, em nota, que não há risco de racionamento para a cidade. A vazão no ponto de medição registrada na manhã de ontem era de 11 metros cúbicos por segundo, considerada dentro da normalidade.

O texto recorda ainda que, durante a crise hídrica entre 2014 e 2016, o então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), atendeu pedido do prefeito Jonas Donizette (PSB) e aumentou a vazão do Sistema Cantareira para o Rio Atibaia. "Por meio de um decreto, a vazão do rio na altura da medição, em Valinhos, não pode ser inferior a 10 metros cúbicos por segundo. Além disso, a população está mais consciente e, por conta disso, o consumo está, em média, de 3,5 a 3,7 metros cúbicos por segundo", informou a Sanasa.

Chuvas

Segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a exemplo de ontem, os próximos dias em Campinas e região devem ter predomínio de sol, com temperaturas altas, e ventos fracos a moderados. Hoje, as temperaturas ficam entre 23 e 38ºC e, amanhã, entre 20 e 39ºC. A quinta-feira deve manter essas características. Entre a sexta-feira e o sábado, é esperado um aumento de nebulosidade, chuvas e queda nas temperaturas.

Sistema Cantareira está em estado de atenção

A falta de chuvas mais fortes mantém o sistema Cantareira em estado de atenção neste mês, que é emitido quando o armazenamento fica entre 60% e 40% da sua capacidade. Segundo o Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio- PCJ), o volume útil armazenado ontem era de 395 milhões de metros cúbicos. O dado considerou o volume dos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. A quantidade representa 40,2% do total de cerca de 981 milhões de metros cúbicos.

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Daniel de Camargo