Publicado 08 de Outubro de 2020 - 20h03

Por AFP

Treze homens, inclusive membros de uma milícia de direita, foram detidos nos Estados Unidos por planejar o sequestro da governadora democrata do Michigan (norte), Gretchen Whitmer, ferrenha opositora do presidente Donald Trump, e de incitar uma "guerra civil", informaram autoridades nesta quinta-feira (8).

Whitmer, que esteve entre as favoritas para integrar a chapa presidencial democrata com Joe Biden, adversário de Donald Trump nas eleições de 3 de novembro, agradeceu à polícia por frustrar o complô de sequestro e repreendeu o presidente por não condenar grupos de ódio.

Ao anunciar a detenção, a procuradora-geral de Michigan, Dana Nessel, descreveu a conspiração para sequestrar Whitmer, de 49 anos, como uma "ameaça séria e crível".

Andrew Birge, promotor federal do distrito oeste de Michigan, disse que seis homens respondem a crimes federais por conspirar para sequestrar a governadora em sua casa de veraneio, situada no estado do norte dos Estados Unidos.

Segundo o funcionário, os homens vigiaram a casa dela e chegaram a testar um artefato explosivo improvisado, que pretendiam usar para despistar a polícia.

Foram detidos por agentes do FBI e da polícia de Michigan na quarta-feira, quando se reuniram para "arrecadar fundos para explosivos e trocar equipamento tático", disse o Departamento de Justiça.

Whitmer foi repetidamente atacada por Trump este ano por impor um duro confinamento para conter o coronavírus, e grupos armados de direita organizaram protestos na capital do estado, Lansig, contra suas ordens para que as pessoas ficassem em casa.

"LIBERTEM MICHIGAN!", escreveu Trump em um tuíte postado em abril.

Whitmer disse que nunca imaginou que algo do tipo poderia acontecer. "Não somos inimigos entre nós. Este vírus é o nosso inimigo", afirmou.

A governadora refutou a negativa de Trump, durante o debate com Biden na semana passada, de condenar os supremacistas brancos e os "grupos de ódio", como as duas milícias de Michigan suspeitas de planejar seu sequestro.

"Recuem e esperem, disse-lhes (Trump)", lembrou Whitmer.

"Quando nossos líderes se reúnem, incentivam ou confraternizam com terroristas nacionais, legitimam suas ações, são cúmplices", afirmou.

Biden, que lidera as pesquisas de intenção de voto, também condenou Trump.

"As palavras que profere são importantes", disse o candidato, durante evento de campanha, questionando o presidente por não ter dito "parem" e prometer perseguir os supremacistas brancos.

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