Publicado 08 de Outubro de 2020 - 19h37

Por AFP

Yeats, T.S Eliot, Neruda, Paz, St John Perse... a história do Prêmio Nobel de Literatura está estreitamente ligada à poesia, com mais de cinquenta autores laureados.

Amante da poesia inglesa, especialmente Shelley e Byron, Alfred Nobel entrou para a história como o inventor da dinamite. Mas ao longo de sua vida ele nunca parou de compor versos, em sueco ou mesmo na língua de Shakespeare. Em uma carta a um amigo, escreveu: "Não tenho a menor pretensão de qualificar meus versos como poesia. Escrevo às vezes, apenas para aliviar minha depressão ou melhorar meu inglês". Em 1862, aos 29 anos, em dúvida sobre seu talento, escreveu em francês a uma jovem: "A física é meu domínio, não a caneta".

Fiel à inclinação de seu fundador, a Academia Sueca escolheu o poeta francês Sully Prudhomme como seu primeiro laureado em 10 de dezembro de 1901.

Em 1923, homenageia o irlandês William Butler Yeats, por sua poesia "cuja forma altamente artística expressa o espírito de uma nação inteira".

No final da guerra é a vez do americano T.S Eliot. "A poesia é uma arte local", disse ele em seu discurso de recepção em 1948.

Enquanto "a linguagem pode ser um obstáculo", Eliot acredita que "a poesia nos dá uma razão para tentar superá-la".

A poesia do mundo hispânico foi reconhecida várias vezes. Em 1956, com o espanhol Juan Ramón Jiménez e em 1971, com o chileno Pablo Neruda.

Em 1977, a Academia homenageou a Geração Espanhola de 27, na figura de Vicente Aleixandre. Em 1981, o prêmio volta a cruzar o Atlântico novamente, com o mexicano Octavio Paz.

Embora o Nobel tenha distinguido inúmeras estrelas literárias, a Academia demonstrou sua sensibilidade para pequenas vozes inúmeras vezes.

Foi assim com o polonês Wislawa Szymborska (1996) e com o sueco Tomas Transtromer (2011), pouco conhecidos fora de seus respectivos países.

"A poesia não é premiada com frequência", lamentou em 1960 o francês Alexis Léger, conhecido como Saint-John Perse, cujo discurso na Academia gerou debate.

Mas a Academia às vezes surpreende na direção oposta, como quando escolheu em 2016, para espanto mundial, o cantor americano Bob Dylan, "por ter criado na grande tradição da música americana, novos modos de expressão poética".

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