Publicado 08 de Outubro de 2020 - 19h37

Por AFP

Duas farmacêuticas nos Estados Unidos pediram ao organismo regulador a aprovação de emergência para anticorpos produzidos em laboratório contra a covid-19, um dos quais teve forte apoio do presidente Donald Trump, que o usou para tratar sua infecção.

Confira o que se sabe sobre estas terapias e porque a confiança do público pode ter sido corroída pela percepção de interferência política na FDA, a agência federal que regula os alimentos e os medicamentos no país.

As terapias desenvolvidas pelas empresas Regeneron e Eli Lilly se denominam "anticorpos monoclonais", um tipo relativamente novo de medicamento, mais conhecido para tratar certos tipos de câncer e doenças autoimunes.

O sistema imunológico dos humanos produz anticorpos, que são moléculas que combatem infecções, e as vacinas ensinam o corpo a estar preparado para produzir os adequados para patógenos específicos.

Para combater uma doença também se pode dar a um paciente os anticorpos de alguém já recuperado. Isto se conhece como "plasma convalescente", mas é difícil obter plasma em uma escala grande o suficiente para um uso estendido.

Regeneron e Lilly desenvolveram "coquetéis" de anticorpos, baseados nos mais eficazes que descobriram. No caso da Regeneron, um foi obtido de uma pessoa e o outro de um rato com um sistema imunológico similar ao humano modificado geneticamente.

Todos funcionam ligando-se e distorcendo uma estrutura da superfície do vírus Sars-Cov-2, denominada "proteína do espinho", que ele usa para invadir as células humanas.

As células imunológicas do hospedeiro que produzem os anticorpos podem ser cultivadas em laboratório para produzi-los em massa.

Os anticorpos não podem ser ingeridos em um comprimido. Devem ser administrados por transfusão com gotejamento. Teoricamente, também poderiam ser usados como uma forma de imunização, mas diferentemente das vacinas, sua proteção seria muito transitória.

Regeneron e Lilly publicaram alguns dados iniciais, baseados em testes clínicos com algumas poucas centenas de pacientes não hospitalizados, e as duas afirmam que seus tratamentos reduziram a carga viral da covid-19 e o tempo de recuperação.

Uma cifra particularmente chamativa veio do teste em fase intermediária da Lilly, que mostrou que a taxa de internação e visitas de emergência relacionadas com a covid-19 foi de 0,9% para pacientes tratados com sua terapia, diante de 5,8% com um placebo.

No entanto, este resultado foi para o tratamento de "combinação" de dois anticorpos da Lilly, enquanto até agora a empresa só tinha solicitado a aprovação de emergência para uma "monoterapia" de um anticorpo, porque tem mais dados de segurança disponíveis.

As duas farmacêuticas informaram que seus testes clínicos não geraram nenhum problema de segurança sério até agora.

Diagnosticado com a covid-19 na semana passada, Trump disse ser um grande admirador do tratamento da Regeneron que recebeu. "Realmente, funcionou muito bem, quero conseguir para vocês o que me deram", disse em um vídeo publicado na noite de quarta-feira.

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