Publicado 08 de Outubro de 2020 - 13h23

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ainda está sendo tratado após ser infectado pela covid-19, disse nesta quinta-feira (8) que não participará do debate presidencial da próxima semana, depois que os organizadores decidiram realizar o evento de forma virtual.

"Não vou fazer um debate virtual", disse à Fox News. "É inaceitável para nós", acrescentou o presidente republicano, que busca um segundo mandato.

Trump acusou a comissão bipartidária responsável pela organização de "proteger" seu oponente democrata Joe Biden e afirmou: "Não vou perder meu tempo em um debate virtual. Debater não é isso".

A menos de um mês das eleições de 3 de novembro, a Comissão que organiza os debates presidenciais anunciou hoje que o evento de 15 de outubro será realizado, mas que os candidatos não estarão no mesmo espaço físico, depois que Trump testou positivo para a covid-19.

A comissão explicou que visa a "proteger a saúde e a segurança de todos os envolvidos" em um país muito afetado pela pandemia da covid-19. Já são mais de 210.000 mortos nos EUA, o mais alto número de óbitos no mundo.

A campanha de Biden afirmou que espera ansiosamente "para falar diretamente com o povo dos Estados Unidos", um comentário que, aparentemente, indica que não descartam este formato.

A porta-voz do candidato democrata acrescentou que Biden quer "comparar" seu plano para unir o país e reconstruí-lo de uma maneira melhor, diante da "liderança fracassada" de Trump que deixou "a pior recessão desde a Grande Depressão".

Trump foi hospitalizado na última sexta-feira (2) pelo coronavírus e passou todo fim de semana internado. Voltou à Casa Branca na segunda-feira e, ontem (7), anunciou que retornou ao Salão Oval.

Sua equipe de campanha afirma que o presidente pode organizar um comício, em vez de comparecer ao debate.

Nesta quinta-feira, ele mudou sua decisão de encerrar as negociações com os democratas para um novo pacote de estímulo econômico para um país em crise. A economia americana registrou uma contração de 31,4% no segundo trimestre, o que destruiu o mercado de trabalho e deixou milhões de desempregados.

"Estamos começando a ter negociações muito produtivas", disse Trump em uma entrevista, afirmando que há "boas chances" de um acordo.

A pandemia levou o índice de desemprego de 3,5% em fevereiro para um máximo de 14,8% em abril. Desde então, o indicador diminuiu e ficou em 7,9% em setembro.

Trump explicou que se refere, especificamente, à assistência às companhias aéreas e a uma ajuda de US$ 1.200 para os trabalhadores, mas estão discutindo um "acordo mais amplo".

Os pedidos de seguro-desemprego nesta semana permaneceram em um nível alto de 840.000, quase sem mudanças em relação à semana passada.

As declarações de Trump ocorrem após o debate dos candidatos à vice-presidência na noite de ontem, no qual o braço direito de Trump, Mike Pence, enfrentou a senadora democrata Kamila Harris.

Harris, que pode se tornar a primeira mulher negra a ser vice-presidente dos EUA, criticou a resposta de Trump à pandemia e a descreveu como um "fracasso". Pence acusou a chapa democrata de ser de "extrema esquerda".

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