Publicado 08 de Outubro de 2020 - 10h13

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (7) seu objetivo de retirar até o Natal todas as tropas dos Estados Unidos que ainda estão no Afeganistão, acelerando o cronograma para concluir a guerra mais longa em que Washington já se envolveu.

"Deveríamos trazer para casa o pequeno número de VALENTES homens e mulheres em serviço no Afeganistão para o Natal!", tuitou o presidente.

Em um acordo alcançado em 29 de fevereiro no Catar com os talibãs, os Estados Unidos prometeram retirar todas as suas tropas desse território até meados de 2021. Em troca, os insurgentes garantiram que não vão estabelecer um regime extremista no Afeganistão.

Desde então, os talibãs iniciaram conversas em Doha com o governo afegão. As reuniões logo foram paralisadas, após os rebeldes sunitas insistirem em sua forma de jurisprudência islâmica.

A promessa de Trump acontece um mês antes das eleições americanas, nas quais o presidente, em busca de um segundo mandato e atrás nas pesquisas, tenta cumprir a promessa feita de que encerraria as "guerras sem fim".

Depois de 19 anos de operações militares americanas no Afeganistão, a postura de Trump tem forte apoio nos Estados Unidos. Joe Biden, candidato democrata à Casa Branca, também respalda uma retirada das tropas.

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, os talibãs "saudaram o anúncio" do presidente Trump, destacando sua disposição de respeitar o acordo - entre Washington e este grupo - e de ter "no futuro relações positivas com todos os países, incluindo os Estados Unidos".

Os Estados Unidos intervieram no Afeganistão, pela primeira vez, após os ataques de 11 de setembro de 2001 e conseguiram desalojar o regime talibã, que protegia a rede terrorista Al-Qaeda.

Desde então, os insurgentes conseguiram se reagrupar e lançar uma nova ofensiva para derrubar o governo afegão respaldado pelos Estados Unidos em Cabul. Nesse contexto, os civis suportam o peso da espiral de violência desde a retirada das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 2014.

O antigo regime talibã impôs um islã ultraconservador no Afeganistão, que proibia a música e a educação para meninas.

As negociações em Doha foram paralisadas porque o Talibã insiste em que as negociações obedeçam à jurisprudência sunita, uma medida que o governo disse que discriminaria os xiitas e outras minorias.

Na quarta-feira, o diplomata veterano americano que negociou com os talibãs, Zalmay Khalilzad, manifestou uma esperança cautelosa nas negociações.

"A grande maioria dos afegãos gostaria de ver o fim do conflito", apontou.

"Acredito que o Talibã leva as negociações a sério. Muitos pensaram que não se sentariam à mesa com o governo afegão, que tudo o que queriam era um acordo para a retirada das forças americanas", observou.

Trump já reduziu as forças dos EUA estacionadas no Afeganistão para cerca de 8.600 soldados. Os talibãs mantiveram sua promessa de não atacá-los, mas sem abandonar sua campanha sangrenta contra as forças do governo.

O presidente afegão, Ashraf Ghani, que visitou Doha na terça-feira (6), pediu aos talibãs que "tenham coragem" e declarem um cessar-fogo nacional.

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