Publicado 07 de Outubro de 2020 - 19h04

Por AFP

Fortes rajadas de vento, ruas inundadas, árvores e postes caídos deixava o furacão Delta na cidade de Cancún, após atingir, nesta quarta-feira, a costa caribenha mexicana, sem deixar vítimas.

Grande parte de Cancún e dos balneários vizinhos de Playa del Carmen e Cozumel permaneciam sem energia elétrica, depois que o ciclone atingiu, de madrugada, a península de Yucatán, rebaixado à categoria dois.

O olho do furacão se localizava à tarde no Golfo do México, cerca de 45km a nordeste de Dzilam e 110 km a nordeste de Progreso, no estado de Yucatán, segundo a Comissão Nacional da Água (Conagua). "Não temos notificação de nenhuma morte", informou mais cedo o coordenador da Defesa Civil Luis Alberto Ortega.

O vento sacudia árvores, muitas das quais acabaram no chão, assim como postes, fiação elétrica, placas de trânsito e outdoors. "O furacão chegou com força", disse o segurança de um estacionamento. A intensidade dos ventos diminuía esta tarde, e eles eram acompanhados de uma leve chuva intermitente.

Com ventos de até 175 km/h, o ciclone entrou pela Península de Yucatán, perto da cidade de Puerto Morelos, entre os balneários turísticos de Cancún e Playa del Carmen, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC), com sede em Miami. De acordo com o NHC, já sobre o Golfo, a velocidade dos ventos havia caído para 155 km/h.

- Férias arruinadas -

Militares e funcionários da Defesa Civil recolhiam troncos de árvores e outros destroços. A população ajudava a desbloquear vias. No total, foram mobilizados 6,5 mil militares em Yucatán e Quintana Roo para auxiliar as comunidades afetadas. Além destas regiões, as chuvas se estendiam aos estados vizinhos de Campeche e Tabasco, segundo autoridades.

Cerca de 41.000 turistas foram evacuados de seus hotéis na terça-feira para refúgios nos balneários de Cancún, Puerto Morelos e Isla Mujeres, segundo Roberto Cintrón, presidente da associação hoteleira local. Destes, 85% são mexicanos e o restante estrangeiros, principalmente americanos.

"Estávamos com 35% de nossa capacidade. Para prevenir o contágio da covid-19, nos refúgios foram tomadas as mesmas medidas que nos hotéis, como uso de álcool em gel e máscaras", acrescentou Cintrón.

Em Cancún, principal destino turístico do México, mais de 160 albergues foram habilitados. "Foi horrível, sentia que, a qualquer momento, uma janela seria arrancada", contou à AFP a turista Patricia Escamilla, 54, em um abrigo.

"Não conseguimos fazer muito. Viemos para relaxar um pouco, com toda essa questão do coronavírus, e estar em locais abertos", comentou ontem Jonathan Rogers, 30, no hotel Aquamarina Beach. Ele viajou com familiares da Cidade do México, após meses de confinamento.

Durante boa parte do dia, as ruas de Cancún ficaram desertas. Algumas lojas reabriram, após permanecerem fechadas desde a tarde de ontem, quando também foram suspensas as operações nos aeroportos de Cancún e Cozumel.

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