Publicado 07 de Outubro de 2020 - 16h43

Por AFP

Uma italiana a quem o cardeal Angelo Becciu confiou meio milhão de euros usado para a aquisição de objetos de luxo, esteve hoje envolvida no escândalo de desfalque que abala o Vaticano.

Espionagem, luxo, viagens, jogos de poder, tudo com dinheiro da Igreja: trata-se de uma avalanche de informações que a imprensa italiana publica diariamente sobre a rede que criou um rombo de 500 milhões de euros nas finanças do Vaticano.

Segundo os jornais italianos Domani e Corriere della Sera, o substituto para a Secretaria de Estado (2011-2018), Becciu, entregou entre 500.000 e 600.000 euros a Cecilia Marogna, natural da Sardenha, região natal do cardeal, por meio de um empresa com sede na Eslovênia e oficialmente especialista em segurança e relações internacionais.

Segundo a imprensa, esse dinheiro acabou em bolsas, sapatos e acessórios de luxo para a mulher de 39 anos.

Marogna revelou à imprensa nesta quarta-feira que o dinheiro foi usado para pagar a libertação de padres e freiras sequestrados na África ou na Ásia por meio de operações secretas.

A jovem recebeu esses recursos por decisão do cardeal, quando ocupava o cargo de substituto do secretário de Estado, no topo da hierarquia vaticana.

Em várias entrevistas ela explicou que a sua empresa, "Logsic", criada em 2018 na capital eslovena, se encarregou de "passos delicados para ajudar a Igreja em territórios difíceis" graças às suas ligações com "membros da liderança dos serviços secretos italianos".

"Não roubei um euro", "não sou amante do cardeal Becciu", disse ela ao jornal Domani e ao Corriere della Sera.

A mulher se apresentou como "uma analista política e especialista em inteligência" que construiu uma rede de relações na África e no Oriente Médio e, portanto, foi encarregada de proteger as nunciaturas e missões da Igreja nessas regiões.

Vários veículos receberam um envelope anônimo contendo as contas da empresa, incluindo o programa de investigação televisivo "Le Iene", que viajou para Ljubljana.

Segundo o documento, foram gastos cerca de 200.000 euros na compra de produtos de luxo: cerca de 8.000 euros em "Chanel" ou mesmo 12.000 euros em "Frau" para uma poltrona.

"Depois de tanto trabalho, acho que tenho o direito de comprar uma poltrona", protestou Marogna, que se sente vítima das complexas intrigas do Vaticano.

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