Publicado 07 de Outubro de 2020 - 14h45

Por AFP

As apostas nas negociações entre britânicos e europeus em busca de um acordo comercial pós-Brexit aumentaram nesta quarta-feira: Bruxelas pediu a Londres para sair de suas posições e o primeiro-ministro Boris Johnson alertou que está "preparado" para uma saída sem acordo.

Sem resultado, apesar das nove rodadas de negociações realizadas desde março, as discussões em busca de um acordo de livre-comércio para reger as relações dos dois lados do Canal da Mancha quando termina o período de transição pós-Brexit, em 31 de dezembro, foram retomadas nesta quarta-feira em Londres.

Elas devem prosseguir até sexta-feira, quando está marcada uma reunião entre os dois principais negociadores, Michel Barnier e David Frost.

Elas começaram com um telefonema entre Johnson e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, no qual os dois líderes políticos se esforçaram para deixar claro que não aceitarão um acordo a qualquer preço, apesar das catastróficas consequências econômicas que uma ruptura brutal teria.

"O primeiro-ministro ressaltou o nosso claro compromisso em tentar chegar a um acordo" considerando que é "o melhor para ambas as partes", afirmou o porta-voz de Downing Street. Mas ele deixou claro que o Reino Unido está "preparado" para romper fortemente com a UE no final do ano "se nenhum acordo for alcançado", acrescentou.

Segundo Michel, "a UE quer um acordo, mas não a qualquer preço". "É hora de o Reino Unido colocar as cartas na mesa", tuitou após falar com o líder britânico.

De acordo com uma fonte europeia em Bruxelas, "foi um apelo para apurar o estado da situação".

"Continuamos a insistir em chegar a um acordo, o que seria bom para ambas as partes, e instamos o Reino Unido a agir, mas ainda não é certo" que teremos sucesso, acrescentou.

Durante uma conversa por videoconferência no sábado, Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, concordaram em acelerar o diálogo em uma tentativa de superar o impasse e chegar a um acordo em uma corrida contra o tempo.

Os europeus desejam chegar a um acordo até ao final de outubro, mas as partes não conseguiram aproximar as suas posições sobre as três questões críticas: pesca, ajuda pública e governança do acordo.

Londres estabeleceu um limite ainda mais curto: 15 de outubro, data da próxima cúpula europeia em Bruxelas.

Esta visita dos europeus a Londres não é considerada uma negociação formal, afirmou o porta-voz de Downing Street, garantindo que ambas as partes vão se concentrar esta semana nos principais pontos de divergência e que as negociações serão retomadas na próxima semana em Bruxelas.

Fontes afirmam que Barnier ligou nesta semana aos ministros das pescas dos países que seriam mais afetados no caso de um rompimento brutal com Londres.

A menos de três meses da data crítica em que o Reino Unido abandonará definitivamente as regras e regulamentos europeus, Johnson já alertou no domingo que seu país poderia "muito bem viver" com uma ruptura. De acordo com um alto funcionário europeu, esse sentimento também começou a surgir entre os 27 países do bloco.

No entanto, a ausência de um acordo sobre essa relação pós-Brexit teria consequências potencialmente desastrosas para as economias de ambas as partes, já gravemente afetadas pela pandemia do novo coronavírus.

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