Publicado 07 de Outubro de 2020 - 13h23

Por AFP

"Smertch" ou tornado em russo: terrivelmente evocativo, esse nome volta como um leitmotiv nas ruas de Stepanakert, a capital da república autoproclamada de Nagorno-Karabakh, bombardeada pelas forças do Azerbaijão.

Ao final dos contínuos bombardeios na madrugada de terça para quarta-feira, três casas vizinhas foram completamente destruídas nas alturas da cidade e perto do parlamento local, segundo jornalistas da AFP.

Perto do ponto de impacto - uma cratera de quatro a cinco metros de no meio do que era aparentemente um pequeno pátio -, os escombros de casas de concreto cinza de dois andares parecem destripados.

Vestígios da velha garagem sob um galpão e restos de um carro jazem ao pé de uma árvore.

Por sorte, os proprietários estavam ausentes, refugiados na capital armênia Yerevan, como muitos dos entre 70.000 e 75.000 deslocados do território de Karabakh, cerca de 50% da população local.

Pelos relatos dos vizinhos consultados no local, quase não resta dúvidas: esta pequena catástrofe é obra de um foguete "Smertch", uma máquina de fabricação russa também conhecida pelo nome de BM-30.

"Somente um foguete Smertch pode causar tantos danos", afirma o vizinho de 60 anos, Albert Kafaian.

A informação é confirmada por um policial que chega de carro e sai novamente em busca de outros impactos.

Consultado nesta quarta-feira pela AFP, um conselheiro do ministro das Relações Exteriores de Karabakh, David Baian, garante que os "Smertch" atingiram Stepanakert durante a madrugada, denunciando a "tática de terror" das forças inimigas contra a população civil.

As autoridades separatistas já denunciaram em várias ocasiões o uso do Smerch, assim como o do "Polonez" - um sistema de armas semelhante, mas mais moderno.

Esses foguetes lançados da carroceria de um caminhão substituíram nos anos 1990 os "Grad" BM-21, herdeiros dos "Katyusha", os famosos "órgãos de Stalin".

Com base em um vídeo amplamente divulgado por fontes armênias nas redes sociais, os separatistas armênios acusam as forças azerbaijanas de usar munições cluster, proibidas desde 2010 por uma convenção internacional.

A ONG Anistia Internacional, por sua vez, confirmou a informação sobre o uso de munições deste tipo, de fabricação israelense, em um bairro residencial de Stepanakert.

A quase 1.000 metros de altitude, a cidade, localizada a 20 km da frente, está aparentemente fora do alcance dos canhões de artilharia convencionais.

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