Publicado 07 de Outubro de 2020 - 11h43

Por AFP

A Alemanha ameaçou a Rússia, nesta quarta-feira (7), com sanções "inevitáveis", se Moscou não der explicações sobre o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny.

"Está claro que, se os fatos não forem esclarecidos e as informações necessárias não forem disponibilizadas, sanções específicas e proporcionais contra as autoridades russas serão inevitáveis", disse o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, aos deputados do Bundestag.

O ministro declarou que a Alemanha vai consultar seus parceiros europeus, mas também a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) para emitir um comunicado comum nos "próximos dias".

Se não houver resposta de Moscou, "não haverá outra solução, a não ser uma resposta internacional clara e inequívoca", acrescentou, deixando claro que não se trata "de forma alguma" de um conflito bilateral entre Rússia e Alemanha.

Incansável ativista anticorrupção, Navalny, de 44 anos, sentiu-se mal a bordo de um avião na Sibéria em 20 de agosto. Depois de ser internado com urgência na Rússia, foi transferido para a Alemanha, onde passou um mês no hospital e continua se recuperando.

Três laboratórios europeus concluíram que o ativista foi envenenado com uma substância neurotóxica do tipo Novichok, concebida para fins militares na época soviética.

A OPAQ confirmou na terça-feira que havia encontrado os mesmos resíduos em sua análise.

"Esta é uma grave violação dos direitos humanos, usando uma substância química de natureza militar. Algo assim não pode passar sem consequências", acrescentou Maas.

As possíveis sanções serão coordenadas dentro da União Europeia, que estabelecerá rapidamente "uma lista de personalidades" que serão afetadas por medidas punitivas.

Desde 2014, a Rússia já está sujeita a sanções da UE, em resposta à anexação da península ucraniana da Crimeia.

Em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal alemão "Bild", Navalny pediu aos europeus que deem um passo adiante em suas sanções contra a Rússia, proibindo a permanência em seu território "de oligarcas e autoridades importantes" próximas do presidente Vladimir Putin.

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