Publicado 07 de Outubro de 2020 - 11h03

Por AFP

Quase sem querer, Felipe Neto se tornou uma figura central no debate político no país, desafiando o presidente Jair Bolsonaro e as "milícias do ódio" nas redes sociais "no ambiente que eles se acostumaram a dominar completamente, que é o digital", como disse à AFP.

Aos 32 anos, com 39,7 milhões de seguidores no YouTube e 12,4 milhões no Twitter, esse jovem nascido no bairro do Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, é um dos dois brasileiros que figuram na lista das personalidades mais influentes da revista Time em 2020.

O outro é o Bolsonaro.

Apesar da popularidade, Neto, que emprega umas 300 pessoas em quatro empresas, garante não ter "nenhum interesse" em seguir carreira política.

Confira a seguir a entrevista que o influenciador digital concedeu por e-mail à AFP.

P: Quem é Felipe Neto? Youtuber, empresário, influenciador...? Por que incomoda tanto ao governo?

R: Sou um criador de conteúdo e empresário do ramo do entretenimento. Crio vídeos para a família, gosto de divertir, fazer rir, ajudar a aliviar o dia estressante das pessoas. Contudo, no meu Twitter e na vida pessoal, sou um cidadão brasileiro como qualquer outro, manifestando o que penso a respeito das coisas que acontecem. O que incomoda de fato os governantes é o fato de milhões de pessoas concordarem com minha visão sobre o bolsonarismo, ainda mais por ser justamente no ambiente que eles se acostumaram a dominar completamente, que é o digital.

P: Continua pensando que Bolsonaro é "pior presidente do mundo" na pandemia, como falou em uma coluna ao New York Times?

R: Ele é o pior presidente do mundo nas ações relacionadas à pandemia e em todas as ações voltadas ao meio ambiente. O bolsonarismo consegue ser ruim em basicamente tudo. A economia do país vai de mal a pior (...), nossa política internacional é inexistente, viramos piada no mundo inteiro, a inflação está assustadora. O Brasil está afundando.

P: Quais foram as consequências de você dar sua opinião na coluna do New York Times? Te fizeram pensar em desistir?

R: Desistir significaria me calar, e isso não é uma alternativa (...) Tentaram de todas as formas associar meu nome com crimes de pedofilia, com o comunismo, com extorsão de dinheiro. Porém, graças à nossa estratégia de comunicação e ao fato de ter uma base muito forte de fãs, eles não conseguiram atingir o objetivo de destruir minha reputação. Pelo contrário, só fizeram com que minha imagem crescesse. Então, da noite pro dia, os ataques coordenados pararam.

P: Por que decidiu se posicionar politicamente e quais foram as consequências?

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