Publicado 07 de Outubro de 2020 - 10h33

Por AFP

Nas Filipinas, a desinformação que se espalha pelas redes sociais e atinge milhões de pessoas de baixa renda levou um grande número de cidadãos a rejeitar a vacina contra a poliomielite e outras doenças mortais.

A vacinação de crianças do arquipélago passou de 87% em 2014 para 68% em 2019, ano em que sofreu uma epidemia de sarampo e o reaparecimento da poliomielite.

Isso está, em grande parte, ligado a uma polêmica sobre a Dengvaxia, a primeira vacina contra dengue do mundo retirada do mercado em 2017 depois que seu fabricante, o grupo francês Sanofi, revelou que poderia agravar os sintomas em pessoas não previamente infectadas com o vírus.

Os especialistas também apontam que informações falsas sobre vacinas que circulam nas redes sociais prejudicam a confiança das pessoas.

Em Tarlac, ao norte, a enfermeira Reeza Patriarca constatou as consequências de uma informação falsa divulgada no Facebook sobre a morte de cinco pessoas após uma vacinação não especificada.

Compartilhados milhares de vezes, esses posts apareceram em agosto após a retomada de uma campanha de vacinação contra a pólio apoiada pela OMS.

Essa informação falsa chegou à cidade vizinha de San José del Monte, dissuadindo um grande número de residentes de receber a vacina contra gripe.

As declarações do ministério da Saúde não convenceram a população.

"Alguns acreditaram na explicação (do governo), outros não", explica esta enfermeira de 27 anos.

Rosanna Robianes, uma profissional da saúde, diz que muitos idosos pararam de ser vacinados.

"Disseram que é por causa do Facebook, onde circula uma publicação segundo a qual morreram as pessoas vacinadas em Tarlac", afirma.

O interesse em informações antivacinas aumentou durante a pandemia de covid-19.

Nas Filipinas, o número de pessoas que seguem grupos ou páginas antivacinas no Facebook saltou de 190.000 para cerca de 500.000, de acordo com a ferramenta de análise de mídia social CrowdTangle.

Cerca de 8 milhões de reações, comentários e conteúdos compartilhados foram registrados desde o início da epidemia.

April Villa, de 40 anos e mãe de dois filhos, na província de Laguna, faz parte dos antivacinas.

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