Publicado 07 de Outubro de 2020 - 9h33

Por AFP

Aracelis Bonet teve de abandonar o emprego para se dedicar totalmente ao filho. Como ela, milhares de mulheres nos Estados Unidos foram forçadas a deixar seus empregos, devido à falta de escolas abertas em razão da pandemia da covid-19.

"Se eu fosse mãe solo, provavelmente estaria sem teto hoje", afirmou essa corretora imobiliária, de 50 anos, de sua casa em Orlando, Flórida.

Seu filho Adam, de 14 anos, é autista. Precisa de cuidados constantes, de manhã, à tarde e à noite, conta Aracelis. Uma situação incompatível com sua profissão, que exige disponibilidade e flexibilidade.

A pandemia da covid-19 está pondo fim ao lento progresso feito pelas mulheres nas últimas décadas em termos de participação no mercado de trabalho e de redução das lacunas profissionais com os homens.

Uma pesquisa realizada entre 16 e 24 de julho pelo Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos mostra que 30,9% das mulheres de 24 a 44 anos não estavam trabalhando, devido a problemas com a educação infantil causados pela pandemia, contra 11,6% dos homens.

"Mais de uma mulher em cada quatro está avaliando o que seria inimaginável seis meses atrás: regredir sua carreira, ou abandonar totalmente o mercado de trabalho", disse a McKinsey and Company, cujo estudo foi realizado entre junho e agosto.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, critica duramente o fechamento de muitas escolas, vendo a medida como um freio para a recuperação econômica. O debate entrou na campanha com seu adversário democrata, Joe Biden.

Na melhor das hipóteses, Aracelis Bonet agora consegue trabalhar 15 horas por semana, em comparação com 35 a 40 horas antes. Sua renda caiu em mais da metade.

"É muito estressante e muito frustrante", desabafa, descrevendo seus dias intermináveis apoiando seu filho em todos os níveis acadêmico, social e psicológico, sem qualquer ajuda, enquanto à noite tenta manter um número mínimo de clientes.

"Eu sou mãe, professora, terapeuta. Estou exausta", aponta.

Em setembro, a participação na força de trabalho das mulheres de 20 anos caiu para 56,8% contra 69,9% dos homens.

Obviamente, "a covid-19 exacerbou as desigualdades de raça, renda e gênero", resume Diane Swonk, economista-chefe da Grant Thornton.

O risco é que as diferenças entre homens e mulheres se ampliem ainda mais, principalmente no acesso a cargos de responsabilidade nas empresas.

Porque deixar o emprego atrasa por muito tempo a carreira, ressalta a economista.

Escrito por:

AFP