Publicado 07 de Outubro de 2020 - 7h43

Por AFP

O tradicional debate entre os candidatos a vice-presidente nos Estados Unidos nesta quarta-feira (7) terá como tema o contágio do presidente Donald Trump pelo novo coronavírus, o que dá um caráter diferente ao primeiro duelo entre seu companheiro de chapa, Mike Pence, e a democrata Kamala Harris.

A doença do presidente de 74 anos, somada às preocupações sobre o estado físico e a idade de seu rival, Joe Biden, que é três anos mais velho, aumenta o interesse pelo debate entre os vices, que acontecerá em Salt Lake City, Utah.

A menos de um mês das eleições de 3 de novembro, a pandemia domina o debate: os candidatos ficarão separados por proteções de acrílico e a distância entre ambos aumentará para quase quatro metros.

Esta pode ser uma grande oportunidade de destaque para a senadora Kamala Harris, uma ex-procuradora que teve uma grande desempenho nos debates das primárias democratas, algo que não foi traduzido por um aumento nas intenções de voto.

Entre os temas que Harris, de 55 anos, pode usar a seu favor está a gestão da pandemia que provocou mais de 209.000 mortos nos Estados Unidos, o país com mais vítimas fatais do mundo.

Este ano, a covid-19 será a terceira maior causa de mortes entre os americanos.

Com o anúncio do contágio do presidente, todos os olhos estão voltados para Pence, de 61 anos.

Este cristão evangélico tradicional compareceu a um evento na Casa Branca em 26 de setembro para a indicação da juíza conservadora Amy Coney Barrett à Suprema Corte.

Embora vários participantes, incluindo o presidente e a primeira-dama Melania, tenham testado positivo para covid-19 desde então, Pence não foi infectado.

Um ponto fraco para Pence é sua função como coordenador do grupo de crise do governo para lutar contra a covid-19. A seu favor, estão sua trajetória e experiência como locutor de rádio, o que lhe permitiu um bom desempenho no debate dos candidatos a vice-presidente em 2016.

O médico da Casa Branca, Sean Conley, afirmou na terça-feira que Trump, que recebeu um coquetel de terapias experimentais, não reportou nenhum sintoma da doença e continua "extremamente bem em geral".

Mesmo com o anúncio de seu contágio e posterior hospitalização, Trump mantém a estratégia de minimizar a pandemia.

E, apesar dos número ruins nas pesquisas e das críticas pela falta de empatia com as vítimas do coronavírus, o presidente republicano mantém o tom sobre a doença.

Trump está em desvantagem nas pesquisas nacionais ante Biden, e a pandemia pulverizou o mercado de trabalho e aumentou o desemprego, acabando com um dos melhores argumentos a favor de sua gestão: uma taxa de desemprego que chegou ao nível mínimo de 3,5%, mas que agora está em 7,9%.

Desde que recebeu alta do hospital militar Walter Reed na segunda-feira, o presidente sugeriu que talvez seja "imune" ao vírus e pediu aos americanos que não tenham medo da covid-19.

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