Publicado 06 de Outubro de 2020 - 23h13

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se recupera da Covid-19, esforçou-se nesta terça-feira para colocar sua campanha eleitoral nos trilhos, ante o avanço do adversário, Joe Biden, que pediu a união do país, a quatro semanas da votação.

Convalescente na Casa Branca após passar três noites internado, Trump, 74, voltou a minimizar a ameaça da pandemia, enquanto Biden, 77, teve resultado negativo em um novo teste de coronavírus e seguiu percorrendo o país, pedindo para que se "salve a alma dos Estados Unidos".

"Os veículos de notícias falsas só querem falar de Covid-19", queixou-se Trump no Twitter, incomodado porque, segundo ele, os mesmos não mencionam "como a economia está bem". Neste âmbito, no entanto, o mesmo provocou turbulência ao interromper de forma abrupta as negociações com os democratas sobre um novo plano de ajuda para reduzir o impacto da pandemia nos lares e empresas "até depois da sua vitória".

A decisão de Trump fez a bolsa de valores americana fechar no vermelho. Biden não demorou a acusá-lo de "dar as costas" aos americanos.

O dia tumultuado de Trump foi marcado por uma nova pesquisa de opinião favorável a Biden. De acordo com a última sondagem CNN/SSRS, divulgada na manhã desta terça-feira, Biden aparece agora 16 pontos à frente de Trump (57% contra 41% das intenções de voto). Outra pesquisa, da NBC/WSJ, divulgada no domingo, estabeleceu uma diferença de 14 pontos em relação ao rival republicano (53% a 39%).

Nesta terça, na média de pesquisas nacionais coletadas pela plataforma RealClearPolitics, Biden levava uma vantagem de 9,2 pontos. O ex-vice-presidente superou facilmente Trump em várias questões da pesquisa da CNN: na resposta à pandemia de covid-19, o acesso ao atendimento médico, a desigualdade racial e criminalidade e segurança. Na gestão da economia, porém, ficou lado a lado com o presidente.

"As mesmas pesquisas mostraram o presidente perdendo em 2016. Ele ganhou a corrida então, e está fazendo o mesmo agora", afirmou na Fox News Hogan Gidley, secretário de imprensa da Trump 2020.

- "Forças obscuras" -

Na Pensilvânia, Biden alertou hoje que "forças obscuras" dividem os americanos, e garantiu que, assim que eleito, irá acabar com "o medo e o ódio" que consomem o país.

Em discurso realizado no local da famosa batalha de Gettysburg, da Guerra Civil americana, o adversário do presidente Donald Trump nas eleições condenou o crescimento do nacionalismo branco e afirmou que o país precisa de união.

"Forças obscuras, forças divisórias, forças de ontem estão nos separando e nos segurando", declarou Biden no local onde o presidente Abraham Lincoln pronunciou um inspirador discurso em 1863.

"Não podemos e não permitiremos que os supremacistas brancos acabem com os Estados Unidos de Lincoln, [dos abolicionistas] Harriet Tubman e Frederick Douglass, com os Estados Unidos que são o refúgio e lar para todos, sem importar sua origem", completou.

Biden não mencionou o nome de Trump, mas seu discurso acontece uma semana após o primeiro debate presidencial em Cleveland, no qual o atual presidente não condenou de maneira clara o nacionalismo branco.

O candidato democrata pediu união, após meses de amargas divisões nos Estados Unidos, e se disse "preocupado" com o que vê atualmente no país.

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