Publicado 06 de Outubro de 2020 - 23h03

Por AFP

Mais de dois anos depois do empate por 3 a 3 na Copa do Mundo da Rússia, Espanha e Portugal se enfrentam novamente nesta quarta-feira, desta vez num amistoso no qual a equipe comandada por Cristiano Ronaldo colocará à prova a evolução da seleção do país vizinho.

A delegação espanhola que vai a Lisboa não tem nada a ver com aquela que em 15 de junho de 2018 sofreu três gols de Cristiano Ronaldo. Apenas o incansável Sergio Ramos, o homem que mais vezes vestiu a camisa nacional (170), o veterano Sergio Busquets e o goleiro David De Gea são os remanescentes do time que esteve na Rússia.

É que a Espanha passou por um processo de renovação após a última edição da Copa do Mundo, marcada pela demissão traumática do então técnico Julen Lopetegui.

A chegada de Luis Enrique Martínez em julho de 2019 trouxe um novo ar à Fúria, que ainda se baseia no toque, o famoso tiki-taka, que a levou ao topo (Copa do Mundo de 2010, Eurocopa 2008 e 2012), mas agora com mais verticalidade e sem medo de procurar novos jogadores a cada convocação.

"Quem estiver bem em seu clube será convocado para a seleção", é o lema de Luis Enrique que reassumiu o cargo em novembro do ano passado, após ficar afastado por cinco meses devido à doença e morte de sua filha Xana, e que foi substituído nesse período pelo auxiliar Robert Moreno.

Com a utilização de 50 jogadores em 12 jogos, a seleção espanhola sob o comando de Luis Enrique voltou a apresentar um futebol empolgante em setembro contra a Alemanha (1 a 1) e Ucrânia (4 a 0) e contou com o surgimento do jovem Ansu Fati, que encarna a juventude e o frescor procurados pelo técnico.

"Gostei do que vi anteriormente", disse Luís Enrique na sexta-feira sobre os jogos do mês passado e após praticamente convocar os mesmos jogadores para enfrentar Portugal, uma lista que conta com figuras como Jordi Alba, Koke ou Saúl Ñíguez e deixa espaço para os jovens Eric García, Mikel Merino ou Ferran Torres.

Para este encontro no estádio José Alvalade, em Lisboa, os donos da casa contam com seu maior astro, Cristiano Ronaldo, que aos 35 anos continua a fazer história pela seleção de Portugal, pela qual chegou à marca dos 101 gols atuando pela equipe nacional no jogo contra a Suécia (2-0) em setembro passado, aproximando-se do recorde histórico de gols por uma seleção do iraniano Ali Daei, que tem 109.

O jogador cinco vezes vencedor do prêmio Bola de Ouro é o centro do núcleo duro de uma equipe que mantém uma estabilidade sob o comando de seu treinador, Fernando Santos, no cargo desde 2014 e que contra a Espanha vai se igualar ao recorde de 74 jogos no comando da seleção, alcançado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari.

Do time que enfrentou os suecos mês passado, seis jogadores estavam entre os titulares que encararam a Espanha na cidade russa de Sochi, prova da consistência de uma equipe que está no topo da Europa desde 2016, posição conquistada pelos títulos da Eurocopa em 2016 e da Liga das Nações no ano passado, na primeira edição do torneio.

Apenas quatro derrotas em 35 jogos (que incluem 24 vitórias e sete empates) marcam a trajetória portuguesa desde que venceu a França na final da Eurocopa.

O jogo contra a Espanha "é muito importante e não podemos deixá-lo de lado" porque é um amistoso, disse na quinta-feira passada o técnico da seleção portuguesa, que tem conseguido incorporar talentos emergentes.

À sombra de Cristiano Ronaldo, começa a surgir o jovem João Félix, contratado pelo Atlético de Madrid por 126 milhões de euros (148 milhões de dólares), e na defesa o veterano Pepe tem como parceiro o jovem Ruben Dias, por quem o Manchester City acaba de pagar 68 milhões de euros (cerca de 79 milhões de dólares).

Todos estarão em Lisboa para enfrentar os representantes do país vizinho, mas Santos avisa que, embora "não haja experiências", vai escolher os seus titulares tendo em conta que "quatro dias depois" será realizado mais um jogo duro, desta vez contra a França, atual campeã mundial, pela Liga das Nações.

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