Publicado 06 de Outubro de 2020 - 19h23

Por AFP

O primeiro-ministro do Quirguistão, Kubatbek Boronov, renunciou nesta terça-feira (6) em meio aos distúrbios e protestos que deixaram ao menos um morto e centenas de feridos, após as eleições legislativas de domingo cujos resultados foram anulados.

Boronov, próximo ao presidente Sooronbai Jeenbekov, foi substituído por um político libertado da prisão na segunda-feira pelos manifestantes, Sadyr Japarov, anunciou a assessoria de imprensa do Parlamento.

"Esta decisão foi tomada em uma reunião extraordinária" do Parlamento, cuja sede foi ocupada pelos manifestantes, o que levou a reunião a ser realizada em um hotel, acrescentou.

Pouco antes, a comissão eleitoral desta ex-república soviética da Ásia central anunciou que os resultados das eleições legislativas "foram invalidados".

Esta decisão ocorreu após uma madrugada de fortes protestos, na qual os manifestantes invadiram a sede do governo e também libertaram da prisão o ex-presidente Almazbek Atambayev, rival de Jeenbekov.

O presidente, de 61 anos e eleito em 2017, anunciou que havia ordenado às forças de segurança que não atirassem contra os manifestantes e que pediu à Comissão Eleitoral Central que "examinasse cuidadosamente todas as irregularidades e, se necessário, anulasse os resultados das eleições", o que aconteceu poucas horas depois.

O controverso resultado das legislativas, com vitória dos partidos favoráveis ao presidente, levou milhares de opositores às ruas da capital Bishkek. Eles pediram a renúncia do presidente e a convocação de novas eleições.

Os confrontos com a polícia terminaram com pelo menos um morto e 686 feridos, segundo porta-vozes do Ministério da Saúde.

Na tarde desta terça-feira, os confrontos pareciam se espalhar para outras regiões, embora o presidente afirme que tem a situação sob controle.

Jeenbekov é próximo da Rússia, cujo governo se diz "preocupado" e pediu às forças políticas do Quirguistão que "permaneçam na constitucionalidade" para encontrar "rapidamente uma solução". A base militar russa neste país anunciou que reforçou sua segurança.

Os Estados Unidos também pediram nesta terça que se evite a violência e se busque uma solução pacífica no Quirguistão, ao mesmo tempo em que admitiram sua preocupação pela gestão das legislativas de domingo.

"Pedimos a todas as partes que se abstenham de exercer a violência e resolvam a disputa eleitoral pela via pacífica", disse um porta-voz do Departamento de Estado.

Embora a situação esteja mais tranquila nesta terça do que na noite anterior na capital, os manifestantes mantiveram o controle da sede do governo e outros prédios públicos.

Diante dos assaltos, muitos comércios permaneceram fechados. Segundo a imprensa local, houve distúrbios em algumas províncias com várias minas de ouro e de carvão, importantes fontes de renda para o Estado, que foram controladas ou paralisadas pelos assaltantes.

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