Publicado 06 de Outubro de 2020 - 17h03

Por AFP

O líder máximo da desmobilizada guerrilha das Farc, Rodrigo Londoño, prometeu nesta terça-feira (6) provar à Justiça colombiana a responsabilidade da insurgência no assassinato do líder conservador Álvaro Gómez, em 1995, diante das suspeitas que a surpreendente confissão de culpa causou.

"Nós, das FARC-EP, fomos os únicos responsáveis (...) por ter privado o Dr. Álvaro Gómez Hurtado da sua vida. E a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), assim como a Comissão da Verdade, receberão de nós os elementos que podem provar isso", afirmou Londoño em uma carta pública.

Em outra carta enviada em 30 de setembro ao JEP - tribunal criado após a assinatura dos acordos de paz, em 2016 - a ex-guerrilha marxista e hoje partido admitiu a responsabilidade frente a um dos crimes que mais abalaram a Colômbia.

A confissão pegou de surpresa um país que por muitos anos acreditou que políticos rivais, militares ou traficantes estivessem por trás do ataque ao três vezes ex-candidato presidencial e jornalista.

O caso foi declarado crime contra a humanidade para evitar sua prescrição.

"Somos os únicos responsáveis pela morte dele, por favor, pare de procurar o homem afogado rio acima", afirmou Londoño, também conhecido como "Timochenko".

Em 2016, aquela que era a organização rebelde mais poderosa da América, assinou um acordo de paz, largou as armas e concordou em submeter-se à JEP, em troca de poder exercer a política como um partido, confessar os seus crimes e reparar as vítimas.

Os responsáveis que cumprirem esses compromissos receberão penas alternativas à prisão. Se não cumprirem, estão expostos a penas de até 20 anos.

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