Publicado 06 de Outubro de 2020 - 14h13

Por AFP

Um antílope solitário, uma silhueta enigmática, uma família de mãos dadas: escondidas em uma gruta no meio da selva tailandesa, uma equipe de arqueólogos acaba de descobrir pinturas rupestres com mais de dois mil anos - um achado raro.

Kanniga Premjai sobe uma colina no Parque Nacional Sam Roi Yot, quatro horas a sudoeste de Bangcoc, abrindo caminho pela selva. Ao chegar ao topo, entra em uma cavidade e aponta sua lanterna para os chifres de um antílope gravado na pedra.

"No início, pensamos que fosse ferrugem acumulada nas paredes", disse o arqueólogo de 40 anos à AFP.

Mas, rapidamente, graças a um aplicativo móvel específico para estudos arqueológicos, ele foi capaz de distinguir os desenhos. "Eu gritei alto", conta.

A descoberta, em 14 de maio, coroou meses de pesquisas completamente infrutíferas, nas quais cerca de 40 cavernas foram exploradas sem sucesso.

Antigas capitais reais, cidades Khmer, templos: a Tailândia revela ao mundo muitos vestígios que atraíam milhões de turistas todos os anos até a pandemia da covid-19.

A busca por pinturas rupestres é muito mais complexa. Os locais são de difícil acesso, e o Departamento de Belas Artes da Tailândia, responsável pela prospecção arqueológica, carece de pessoal.

No escritório de Ratchaburi (sul), por exemplo, que cobre seis províncias tailandesas, há apenas uma equipe de três arqueólogos, incluindo Kanniga Premjai, que se dedica a este tipo de escavação.

Na Tailândia, a essência do trabalho "é preservar o que já foi encontrado", explica Noël Hidalgo Tan, do Centro Regional de Arqueologia e Belas Artes do Sudeste Asiático. "Há uma enormidade de sítios inexplorados", acrescenta.

"Nunca sabemos o que vamos encontrar", ressalta Kanniga Premjai, entrando nas outras câmaras da gruta. Você tem que olhar em cada canto, cada penhasco, cada cavidade.

Em 2016, as autoridades revelaram as primeiras pinturas nesta área do Parque Sam Roi Yot, o que levou a cientista a dar mais ímpeto à sua investigação.

Sua descoberta confirma suas primeiras hipóteses sobre uma presença humana muito antiga nesta região.

Os caçadores-coletores viveram aqui há cerca de 3.000 anos, explica Noël Hidalgo Tan.

Dependendo das estações, "mudavam-se de um acampamento para outro, e (esta cavidade), nas montanhas, pode ter sido uma base" para eles.

O especialista está preocupado com a conservação do local.

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